Pelo menos seis acidentes em um único dia e 20 carros envolvidos. A sequência de batidas na rodovia Cândido Portinari, na última quarta-feira, 5, deixou muito mais do que feridos e prejuízos. Assustada com o cenário caótico que se formou no trânsito da pista no final daquela tarde, a população ficou incrédula e se perguntou: como pode uma pista duplicada e bem sinalizada ser palco de tantas batidas? Especialista ouvido pelo Comércio afirma que são vários fatores, a começar pelos abusos cometidos pelos motoristas. Redução do limite de velocidade e implantação de radares fixos são algumas das propostas sugeridas.
A área urbana da Cândido Portinari tem 8,5 quilômetros entre o posto Galo Branco e a saída para Cristais Paulista, na altura do City Petrópolis. “Neste trecho, quando acontece acidente, normalmente, dá mais de um. O relevo não favorece a sinalização”, disse o sargento Cimar Mariano da Silva, supervisor da base da Polícia Rodoviária de Franca. Ele trabalha como patrulheiro há 25 anos e já perdeu as contas de quantos acidentes atendeu no trecho.
Mariano explica que três lombadas existentes ao longo do trecho e a curva próxima à empresa Amazonas encurtam a visibilidade dos condutores e aumentam o risco das colisões traseiras e engavetamentos. “Quanto acontece algum acidente, temos que agir o mais rápido possível para que a sinalização seja mais eficiente a fim de evitar outros eventos. Nem sempre é possível, principalmente, nos horários de pico, quando o trânsito é mais intenso.”
O policial aponta outra peculiaridade: a maior parte dos motoristas que transitam pelo local são urbanos, ou seja, é aquele que usa a rodovia para se deslocar de bairro a bairro. “É um motorista que não está familiarizado com rodovia e acaba se misturando a condutores de caminhões e ônibus que estão viajando e têm outra visão de rodovia, são mais experientes. O motorista urbano tem uma percepção mais reduzida do perigo e se esquece que o tempo de reação na rodovia é bem menor do que dentro da cidade.”
Na área urbana da Cândido Portinari, existem oito alças de acessos dos bairros para a rodovia. O sargento Mariano defende o fechamento dessas saídas para reduzir o contato entre os motoristas urbanos e os que estão habituados com as pistas. “Uma alternativa seria mexer na infraestrutura e criar marginais ao longo da rodovia, uma de cada lado, principalmente, no trecho entre os viadutos da vila São Sebastião e do Leporace. Sabemos que é uma ação mais complexa e que depende de estudos e alto investimento, mas é a solução mais eficaz.”
A curto prazo, o policial rodoviário defende a redução do limite de velocidade na área urbana. Hoje, veículos leves podem trafegar a 100 km/h e pesados, como caminhões e ônibus, a 80 km/h. “Acredito que reduzir para algo em torno de 80 ou 70 km/h seria uma medida eficaz, mas isso também depende de estudo técnico.”
Os excessos de velocidade são controlados por dois radares fixos instalados nas regiões da São Sebastião e Leporace. A instalação de mais equipamentos, segundo Mariano, ajudaria a conter os abusos. “Por ser um trecho longo e de grande fluxo de veículos, a fiscalização fica prejudicada. A fiscalização eletrônica é outra opção para educação do trânsito.”
Enquanto a construção de marginais e instalação de radares são apenas sugestões, o policial recomenda que os motoristas mudem seus hábitos para que as cenas da última quarta-feira não voltem a se repetir. “Sempre flagramos casos de excesso de velocidade, ultrapassagens forçadas, principalmente, de motoqueiros, e casos de embriaguez ao volante. A Polícia Rodoviária vai aumentar ainda mais a fiscalização naquele trecho para coibir abusos. Só a fiscalização não vai ser suficiente. Os motoristas precisam se conscientizar que é preciso transitar com atenção redobrada na pista, em qualquer horário do dia.”
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