Protesto contra privatização de faculdades reúne 400 estudantes


| Tempo de leitura: 2 min
Estudantes da Faculdade de Direito protestaram em frente à Câmara, antes de irem à Prefeitura
Estudantes da Faculdade de Direito protestaram em frente à Câmara, antes de irem à Prefeitura
O protesto do Diretório Acadêmico da FDF (Faculdade de Direito de Franca) contra a ideia de privatização das duas faculdades municipais reuniu, na manhã de ontem, cerca 400 estudantes entre alunos da FDF e do Uni-Facef (Centro Universitário de Franca).
 
A discussão sobre a venda à iniciativa privada das instituições de ensino nasceu depois que o vereador Corrêa Neves Júnior (PSD) cobrou maior contribuição, por meio do aumento do número de bolsas de estudo oferecidas, das duas faculdades. “São instituições municipais que podem retribuir melhor o investimento que a sociedade de Franca fez. As municipais oferecer mais oportunidades aos estudantes francanos que não têm condições de arcar com seus estudos. Essa é a minha luta”, disse. 
 
A reação dos alunos foi imediata. Criticaram a eventual discussão do assunto nas redes sociais, na quinta-feira, e organizaram o protesto para a manhã de ontem. Ao som dos gritos de guerra “Onde já se viu, querer deter nossa voz estudantil” e “A verdade é dura, privatizar só faz bem à prefeitura”, o grupo começou a passeata de protesto por volta das 8h40 desta sexta. Com cartazes de “Não à privatização” e “Educação não é mercadoria”, partiram do boulevard da FDF e seguiram rumo à Câmara. Taís Mara dos Santos, 18, que está no 2º ano de direito, participou do protesto. “Não acho que seja só pela questão financeira. Queremos um curso de qualidade e a privatização pode acabar com isso. Estamos aqui porque não conseguimos enxergar ponto positivo na privatização”, disse.
 
Na Câmara, os estudantes fizeram uma declaração em forma do jogral. “Nós, estudantes da Faculdade de Direito, estamos aqui na frente da Câmara para nos posicionar. 60 anos de tradição não são assim tão facilmente vendidos à privatização.” Em seguida, o grupo seguiu até a Prefeitura. Na Presidente Vargas, eles interromperam o trânsito em uma das pistas. No Paço Municipal, os estudantes cobraram a presença do prefeito: “Gilson de Souza, cadê você, eu vim aqui só pra te ver”.
 
Segundo a assessoria do prefeito, Gilson estava em Ipuã, para participar de reunião do Comam (Consórcio de Municípios da Alta Mogiana). O procurador do município, Eduardo Campanaro, se dispôs a receber uma comissão com três estudantes, mas os manifestantes não aceitaram. “Não vai subir ninguém. Se quiser falar com a gente, bota a cara e vem aqui pra frente”, gritaram em coro. Em seguida, cobraram a presença do vice-prefeito, Frank Pereira, e do chefe de gabinete, Agostinho. Ninguém desceu. Os estudantes esperaram até as 10h40 e não obtiveram resposta. Decidiram, então, deixar o Paço Municipal prometendo um novo protesto para a terça-feira na Câmara.
 
No início da tarde, a Prefeitura divulgou uma nota negando a intenção de privatizar as universidades. “A Prefeitura esclarece que não está no radar do prefeito Gilson de Souza qualquer movimento no sentido da privatização. O nosso compromisso é manter os patrimônios do nosso município. Por favor, desconsiderar boatos e informações que não sejam oficiais.”

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários