Legal, mas não moral


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Fazemo-nos felizes ou infelizes segundo o nosso grau de harmonização com a divina justiça. A prática do aborto é infeliz semeadura, cujo fruto serão sofrimentos por sucessivas reencarnações, até que, por esforço no serviço do bem, consigamos expungir a carga psíquica culposa.O Supremo Tribunal Federal, julgando um caso concreto, considerou que o aborto praticado até o terceiro mês de gravidez não é crime, o que, todavia, o torna legal, mas não moral.
 
É preciso que se levem em conta as graves consequências espirituais para todos os envolvidos no delito, segundo os respectivos graus de comprometimento, posto que são transgressores das supremas leis. Ao responder a questão 693 de O Livro dos Espíritos, os mentores espirituais de Allan Kardec asseveram que “tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à lei geral.”
 
As reencarnações se iniciam no momento mesmo da fecundação do óvulo feminino, sob verdadeiro planejamento, garantidor da redenção do espírito ante seus erros do passado, conforme o uso consciencial que fará do próprio livre-arbítrio. Abortar, portanto, é interrupção da vida física de um espírito que já existe e pensa, podendo tratar-se da volta de um ente querido, um pai, uma mãe, um avô, um irmão, com sério compromisso redentor.
 
O Espiritismo, contudo, só considera aceitável o aborto praticado como único meio de salvar a gestante ante risco de morte em razão da gravidez. É quanto o espírito, tendo em vista a positiva carga psíquica das pessoas envolvidas, saberá aguardar uma nova oportunidade.
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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