A estratégia de lotar o Lanchão, vender ilusões e sortear casas que sequer saíram do papel terá que ser revista pelos gestores de Franca. A Câmara aprovou projeto de lei, na sessão de ontem, que fixa normas para a distribuição de unidades habitacionais no município. A idéia é conter a exploração política e evitar falsas expectativas por parte das milhares de pessoas que sonham com a casa própria. E que acordam com o pesadelo de não receber as chaves mês após mês.
O projeto, apresentado por Marco Garcia (PPS) e Corrêa Neves Júnior (PSD), estipula que os sorteios de casas e apartamentos só possam ser realizados quando as obras estiverem 90% prontas. “Normalmente, o sorteio é feito com grande antecedência à conclusão das obras. Com o passar do tempo, o gosto bom do sorteio fica com sabor amargo. Acredito que a nossa proposta vai diminuir o sofrimento de quem está na fila”, disse Marco Garcia.
Corrêa Júnior avaliou como um “crime” a maneira com que os sorteios atuais são feitos. “Cria uma expectativa sem a segurança de que os sorteados vão receber os imóveis”. O conjunto do Copacabana, construído na zona oeste, segundo ele, é um exemplo do drama enfrentado pelos mutuários.
Os 406 apartamentos foram sorteados em julho de 2015 pelo governo anterior. Cerca de 20 mil pessoas foram ao estádio municipal e enfrentaram sol para acompanhar o sorteio das moradias populares. O então prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) foi anunciado como sendo o responsável “por estar fazendo o maior projeto habitacional de Franca”.
Quase dois anos depois, os “felizardos” ainda não colocaram as mãos nas chaves. Na melhor das hipóteses, o conjunto será entregue a partir de agosto. “Lá no Copacabana, sorteou-se vento. Nada garante que as pessoas que abraçaram e beijaram o prefeito e o vice vão receber os imóveis. O contrato só é assinado após a conclusão das obras”, disse Junior. Uma reunião com a participação do Ministerio Público e representantes da Caixa e da prefeitura foi feita para evitar que os contemplados no Copacabana pudessem ser prejudicados por uma, nova avaliação sócio-econômica.
O projeto aprovado ontem e que regula os futuros sorteios segue agora para análise do prefeito Gilson de Souza (DEM). Caso ele sancione a lei, os sorteios dos próximos conjuntos habitacionais que forem construídos em Franca terão que obedecer a nova regra: não será permitido fazer festa antes que as obras das moradias estejam 90% concluídas. “A lei, caso sancionada, será positiva, tanto para os mutuários, quanto para o governo. O prefeito terá interesse em fazer o sorteio e, para isto, vai forçar a construtora a entregar a obra dentro do prazo previsto”, finalizou o vereador.
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