A chegada de um bebê a uma família sempre perturba o até então filho único. Dizem que fica muito enciumado porque perde o trono. Ou o colo da mãe, a atenção exclusiva do pai. Este é o tema da animação O Poderoso Chefinho, que entrou em cartaz na última sexta-feira. As filas nos cinemas indicam que está agradando.
Mas o mal humor do mais velho é só o ponto de partida para uma situação bem complicada que ele vai enfrentar. Sabe por quê? Porque o bebê da história foge muito ao convencional. Ele não é como os bebês que a gente vê todos os dias nas nossas idas e vindas de casa para a escola, a academia, o clube, a casa de amigos, os passeios. Ele não é um bebê desses que ficam no carrinho olhando o céu, os pássaros, os gatos, os cães, o movimento das pessoas na calçada, as cores das flores ou das roupas dos adultos. Ele não é um bebê que chora quando se assusta ou tem fome. Ele é um bebê que vem de um lugar muito esquisito, cheio de máquinas.
O filme é dirigido por Tom McGrath, o mesmo diretor responsável pela franquia Madagascar, que as crianças adoraram. Ele é um cineasta muito competente e tem um bom gosto incrível. Com jeito divertido, nos conta a história de Tim, menino de sete anos que vive feliz da vida junto aos pais. Até que surge um irmãozinho. O garoto de cara começa a desconfiar do bebê. Mais que isso, passa a questionar os pais, já que o recém-nascido usa... terno! E ele não se conforma com isso.
No filme, todas as crianças vêm de uma fábrica gigantesca, onde são montadas, testadas e, depois de triadas, enviadas para suas respectivas famílias. Acontece que algumas têm um problema de fabricação e nascem sem talento para serem bebês, desses que usam roupas fofinhas e gostam de chupetas. Os reprovados no teste de excelência recebem um “implante” para nunca crescerem e viram, então, funcionários de uma grande organização.
É dessa firma imensa que vem Poderoso Chefinho, o bebê estranho que chega à casa de Tim, enviado para uma missão. Contado assim parece complicado, mas as cenas favorecem o rápido entendimento. Contrariado, o menino passa a interrogar o bebê. Consegue descobrir que o novo membro da família é, na verdade, um espião de fraldas. Seu objetivo é obter informações sigilosas dos seus pais. Além de, claro, roubar deles todo amor e atenção. Será que conseguirá? Aí só assistindo para saber, não é mesmo?
Lançada em 2D e em 3D,a animação é muito bonita, agrada aos olhos do começo ao fim. Destaque-se a cena em que o pequeno Tim vira um ninja, como em filmes de ação dos tempos dos avós. Outra sequência incrível é a que mostra o bebê revelando seus planos de conquista do planeta. Nesta cena espetacular, ele usa um desses livros cujas imagens pulam na cara da gente quando são abertos.
O filme foi baseado num livro infantil que tem muitas imagens e pouco texto. O pulo das páginas impressas para a tela parece que está valendo a pena. Algumas crianças ouvidas pelo Clubinho disseram que gostaram de ver o que acontece numa casa quando o mais velho perde o colo.
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