Um Brasil de desperdício


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BRASILEIRO JOGA FORA 20% DA COMIDA QUE COMPRA. O QUE ALIMENTARIA 19 MILHÕES
Há muito se trata o desperdício como uma das principais mazelas do Brasil. E ele aparece em todos os setores, principalmente quando não se há responsabilidade no trato com a coisa pública. O País gasta muito e gasta mal. Verbas públicas são descaradamente desviadas e setores que exigem maiores investimentos são negligenciados. Sabe-se que preços de alimentos são superdimensionados em razão das perdas que ocorrem desde a sua produção, passando pelo transporte, armazenamento e distribuição.
 
Segundo dados da Embrapa de 2006, 26,3 milhões de toneladas de alimentos ao ano têm o lixo como destino. Hoje, mais de dez anos depois, os números devem ser bem maiores. Conforme o levantamento, diariamente, desperdiçamos o equivalente a 39 mil toneladas por dia, quantidade suficiente para alimentar 19 milhões de brasileiros, com as três refeições básicas: café da manhã, almoço e jantar. Já dados do IBGE dão conta de que os brasileiros despejam nas lixeiras de suas residências diariamente 125 mil toneladas das sobras das compras. Somando com os restos deixados pela indústria e pelo comércio, o total chega a quase 230 mil toneladas diárias. O desperdício é muito grande, desde a colheita (20%), passando pelo transporte e armazenamento (8%), pela indústria de processamento (15%), pelo varejo (1%) e pelo processamento culinário e hábitos alimentares (20%).
 
Em estudo mais antigo, de 2004, realizado pelo Instituto Akatu, aponta-se que os números fazem do Brasil um dos campeões mundiais de desperdício. Ainda conforme o instituto, 1/3 de tudo o que compramos acaba no lixo. Isso remete a uma perda de US$ 1 bilhão por ano. É o pãozinho que endureceu ou embolorou, a fruta que apodreceu ou o alimento que ultrapassou o prazo de validade. Tudo vai para o lixo, causando prejuízos monumentais. De 30 a 40% de todos os alimentos produzidos no País vão parar no lixo. Em países desenvolvidos, esse índice não chega aos 10%. O brasileiro joga fora mais comida do que a que de fato leva à mesa.
 
Percebe-se claramente que o brasileiro não se preocupa com a economia. A falta de racionalidade para com os gastos com alimentação se irradia para outros setores, como o uso de água e energia elétrica. No fim, não nos preocupamos com os reflexos que este tipo de atitude pode trazer. Nós ainda não aprendemos a comprar em pequenas quantidades, para consumo rápido. Compra-se multo, compra-se mal e consome-se pior ainda. O que não se pode admitir, diante das facilidades que contamos hoje, que os utensílios de cozinha cada vez modernos não sejam utilizados como facilitadores. É necessária uma conscientização para que o Brasil deixe de jogar tanto dinheiro fora, diretamente na lata de lixo.

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