Cear traz sugestões para baixar tarifa de ônibus em Franca


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Os vereadores Corrêa Neves Jr., Diretor Marcos e Ilton Ferreira (à direita) foram conhecer o sistema de S. José do Rio Preto
Os vereadores Corrêa Neves Jr., Diretor Marcos e Ilton Ferreira (à direita) foram conhecer o sistema de S. José do Rio Preto
Os três vereadores que fazem parte da Cear (Comissão Especial de Assuntos Relevantes), criada pela Câmara para fiscalizar os contratos de transporte coletivo e apresentar alternativas para baratear o preço da tarifa, estiveram ontem em São José do Rio Preto e voltaram com sugestões. O município, que tem cerca de 420 mil habitantes, possui um dos sistemas de transporte público mais eficientes e modernos do Brasil. Os vereadores foram conhecer de perto seu funcionamento e tentar encontrar saídas para os problemas enfrentados em Franca. 
 
Pela manhã, passaram cerca de duas horas acompanhando a rotina da Central de Transporte Coletivo, um prédio onde se concentram todos os setores ligados ao transporte e também onde está instalada a central de monitoramento dos ônibus. “Foi uma visita muito proveitosa. Saímos com a convicção de que algo muito errado acontece em Franca. Porque aqui (em São José do Rio Preto) o serviço tem mais ônibus, um sistema de controle supermoderno e um preço muito mais baixo que o de Franca. Isso mostra que é possível, sim, oferecer um serviço melhor com uma tarifa mais baixa”, disse o presidente da Cear, Corrêa Neves Jr. (PSD). 
 
Os vereadores verificaram que os moradores de lá têm à disposição, em horários de pico, 300 ônibus em circulação. Em Franca, são 98. Lá, os ônibus são equipados com quatro câmeras que transmitem imagens em tempo real para a central. Os veículos ainda possuem GPS para o acompanhamento de todo o trajeto. A fiscalização é feita por uma equipe especializada com 20 pessoas. 
 
Em Franca, a realidade é outra. O sistema de bilhetagem não é auditado, o GPS só permite saber onde o veículo está, mas não suas condições. Também não há geração e transmissão de imagens. A fiscalização aqui se resume a uma pessoa que vez ou outra verifica catracas na garagem da São José e outras cinco que acompanham a rotina do transporte. 
 
Em Rio Preto, o transporte público é feito por duas empresas, a Santa Luzia e a Itamarati, cada uma atua em uma área específica da cidade. Mas ambas cobram o mesmo valor de tarifa: R$ 2,90 (para quem usa cartão) e R$ 3 (para quem paga em dinheiro). As duas oferecem ainda a possibilidade de integração sucessiva, não limitada em uma vez, como aqui em Franca. 
 
“Como podemos admitir que se diga que não há como reduzir tarifa? Em Rio Preto, cidade com porte parecido com o de Franca, o serviço é melhor e tem um preço bem mais barato. Em Franca, a tarifa custa R$ 3,80 e deve aumentar para R$ 4,20, e a empresa ainda alega prejuízo. Como isso é possível?”, indagou o presidente. 
 
A Prefeitura de Rio Preto concede subsídio ao transporte, mas sem esse aporte municipal, a tarifa ainda assim seria menor que a de Franca: R$ 3,43; já com o reajuste aplicado há dois meses. 
 
Para o relator da Cear, Diretor Marcos (PSDB), o modelo de fiscalização do sistema de ônibus em Rio Preto é exemplar. “Tudo tem controle, tudo é registrado e anotado. Qualquer irregularidade é checada e acaba resultando em multas para as empresas. Lá, nos últimos quatro anos, foram 20 mil multas geradas, que resultaram em uma receita de R$ 3 milhões”, disse. 
 
No período da tarde, os vereadores visitaram as garagens das empresas e puderam utilizar o sistema. 
 
O relator deve apresentar, na segunda semana de abril, um relatório prévio apontando as irregularidades já comprovadas pela Cear na fiscalização da Empresa São José e propor mudanças. O presidente da Comissão também apresentará sugestões iniciais, mas para a melhoria da qualidade do serviço e para a redução da tarifa. Ambas as apresentações devem ser feitas na Câmara em audiência aberta à participação da população. 

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