Paloma Martins Bastos foi julgada, ontem, e considerada culpada pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e furto praticados contra a aposentada Ana Cecília Macedo, 69, que foi morta degolada. Ela foi condenada a 14 anos de reclusão em regime fechado e não terá o direito de recorrer em liberdade.
O assassinato ocorreu no dia 7 de março de 2014 e o corpo encontrado no dia seguinte. Ana Cecília foi atacada na sala de sua casa e arrastada até o banheiro. “A Paloma esgorjou completamente a vítima. O corte feito pela faca no pescoço começou pela frente e atingiu a coluna cervical. Foi um crime bizarro, pela maneira que começou, e monstruoso, pela maneira que terminou”, disse o promotor de Justiça Odilon Nery Comodaro.
Paloma foi presa pela equipe da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) dias depois. O celular que ela havia furtado da vítima e que havia dado de presente para o marido, foi rastreado e permitiu sua localização e esclarecimento do caso.
A assassina confessou o crime e alegou ter agido por vingança. A intenção de Paloma seria matar o amante e a mãe dele, que moravam na casa da frente de Ana Cecília. Como não encontrou os dois, a mulher decidiu ceifar a vida da aposentada. Ela alegou que a vítima teria participado de uma sessão de magia negra e que teria dado várias agulhadas nela.
No dia em que foi presa, Paloma concedeu entrevista ao GCN e contou detalhes do crime. O vídeo foi exibido durante o julgamento e chocou. “Eu puxei a faca e ela começou a sangrar. Ela tentou me tomar a faca e eu derrubei ela no chão, montei em cima dela e enfiei a faca. Ela começou a gritar: ‘Jesus me acode, Jesus me acode’. Eu falei para ela: ‘Jesus, minha filha? Cadê sua fé agora para te salvar?’. Ela começou a gritar e veio um trem na minha cabeça pedindo para matar ela. Fiz o que estavam me pedindo. Passei a faca até torar o pescoço dela (neste momento, Paloma imitou o som do sangue jorrando).”
O promotor disse que dois exames periciais constataram que Paloma era responsável pelos seus atos e que sabia o que estava fazendo. Pediu que ela fosse condenada por homicídio duplamente qualificado e pelo furto do celular. “Ela matou por motivo banal e utilizou meio cruel. Chegou a pedir para um conhecido amolar a faca antes do crime.”
O advogado Ciro Fernandes Sanches, que defendeu Paloma, pediu aos jurados que derrubassem as qualificadoras do crime - motivo fútil e meio cruel - e que ela fosse condenada por homicídio privilegiado, que resulta em uma pena menor. Ele alegou que o pivô do crime foi o amante de Paloma e que sua cliente agiu sob forte emoção. “A Paloma não é essa facínora que a mídia e o Ministério Público estão pregando. Ela não é esse monstro como foi criado. Ela também foi vítima de um ritual de magia negra, em que recebeu várias agulhadas, e sofreu injusta provocação. Foi xingada pela idosa.”
Paloma chorou várias vezes durante o julgamento e aparentou estar orando. Ela estava com uma camisa branca e uma calça bege, uniforme usado pelas detentas do presídio de Tremembé, onde está presa, e algemas nas mãos e pés. O marido dela, uma irmã e um cunhado estavam na plateia.
Após quase cinco horas de julgamento, o juiz José Rodrigues de Arimatéa anunciou a sentença. Paloma foi condenada a 13 anos pelo homicídio duplamente qualificado e mais um ano pelo furto do celular.
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