Tenho pressa de viver. Experimentar aquela sensação que sufoca o peito e engradece a alma. Constatar que o brilho do sol é mesmo que cobre a humanidade desde a origem dos tempos.
Tenho pressa de viver. Observar tanto as aves raras como as comuns. Comungar com os animais e tornar estático o tempo perfeito destes momentos sagrados.
Enxergar além das montanhas, mergulhar os pés na grama molhada e me contagiar com a alegria do voo cego das libélulas incoerentes.
Tenho pressa de viver. Sentir o mesmo perfume dos eucaliptos na primavera e degustar aquele jatobá com gosto de infância na estrada de terra.
Tenho pressa de viver. De mergulhada no silêncio sacro das tardes ociosas, reencontrar o equilíbrio perdido de outrora. De fazer as escolhas certas, porque o tempo se escasseou demais, caso eu venha errar. E tenho pressa de acertar.
Tenho pressa de viver. Desculpar-me pelas palavras inadvertidas que lancei em momento de fúria e dizer o quanto amo às pessoas que me são caras.
Experimentar este amor puro pelo outro, de promessas singelas, de alegrias permitidas e de reencontro de almas irmãs.
Tenho pressa de viver. A pressa do encontro com esta utópica e esfuziante felicidade, à qual realizamos uma busca insana por toda uma vida. Tenho muita pressa de viver.
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