O inquérito policial que apura a morte da fotógrafa Zélia Lúcia Barbosa Moreira, 46, ocorrida na Santa Casa, caminha para o seu desfecho. Na tarde de ontem, duas testemunhas prestaram depoimento à Polícia Civil. A série de interrogatórios será concluída hoje. O delegado responsável pelo caso, Luiz Carlos da Silva, aguardará apenas o resultado de laudo para concluir as investigações e encaminhar o processo para avaliação da Justiça.
Prestaram depoimento ontem uma enfermeira e um técnico de enfermagem que trabalham na Santa Casa. “Eles estavam no local no dia, mas não participaram diretamente da ocorrência. Não trouxeram informações relevantes que possam alterar os rumos da investigação”, disse o delegado.
Nesta sexta-feira, o policial espera ouvir mais três funcionários da Santa Casa. Eles serão os últimos a depor. A não ser que um fato novo surja nos próximos dias, ninguém mais será chamado para dar explicações sobre o caso.
A fotógrafa Zélia Lúcia Barbosa Moreira morreu na Santa Casa, no dia 26 de janeiro. Ela passaria por uma sessão de pulsoterapia, para tratar uma doença autoimune de seus rins, mas, ao invés do remédio usual, foi aplicada anestesia em sua veia.
Mais de dez pessoas, entre familiares e funcionários da Santa Casa, foram ouvidos pela polícia. O depoimento mais importante foi prestado no dia 8 deste mês pela técnica em enfermagem acusada de aplicar o medicamento errado. Ela admitiu que o remédio não era o correto, mas disse que também foi vítima de uma sucessão de falhas. “O erro terminou em mim, mas começou de várias pessoas. A medicação não era de competência de um setor aberto, mas de competência do centro cirúrgico. Somente um anestesista poderia administrar.”
O delegado aguarda o resultado de laudos toxicológico, do medicamento injetado na vítima e de imagens para concluir as investigações. Ele tem prazo até o dia 21 de abril para terminar o inquérito, mas pretende fechar antes.
Em princípio, apenas a técnica de enfermagem será responsabilizada pela morte. Ela foi indiciada por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. “Ela não tinha a intenção de aplicar o medicamento errado para matar a vítima, mas não teve o cuidado de fazer a devida verificação. A negligência dela caracteriza a culpa”, concluiu Luiz Carlos da Silva.
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