Carne Fraca


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Há bastante tempo a pecuária do Brasil vem envidando esforços para melhorar a qualidade do gado que é comercializado com os frigoríficos do país. Medidas como rastreamento do gado, controle da febre aftosa, barreiras sanitárias, dentre outras, são iniciativas que tornaram a carne brasileira possível de comercialização em vários e rigorosos países do Mundo. Agora, infelizmente, todo esse árduo trabalho dos pecuaristas é colocado em risco, em razão de práticas condenáveis, que estariam sendo cometidas por alguns frigoríficos do país.
 
As denúncias ligadas à qualidade da carne que se consome no mercado interno e que é exportada, apuradas pela Polícia Federal na operação “Carne Fraca”, colocam em dúvida todo esse importante trabalho iniciado no campo e poderá trazer riscos para a exportação do produto. Porém, não podemos nos esquecer, sob pena de se potencializar indevidamente o episódio, que apenas algo em torno de 1% da atividade frigorífica do país está sendo investigada.
 
Também é inegável que vários diálogos telefônicos interceptados pela Polícia Federal, se analisados isoladamente e fora do contexto, poderão ser deturpados e alterados do seu real sentido, pois trazem conclusões até absurdas, como a de se colocar papelão na carne moída.
 
De qualquer maneira, os fatos são graves e precisam ser apurados com rigor, pois atingem empresas com fartos investimentos em marketing e que se utilizam de figuras do ambiente artístico e jornalístico, com grande credibilidade junto ao público, para divulgar a qualidade dos seus produtos. Enfim, vamos lutar pela carne nossa de cada dia.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
 

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