Um dia depois de os vereadores iniciarem um movimento para pressionar o governo de Estado a rever a decisão de transferir para Ribeirão Preto todo atendimento telefônico do Corpo de Bombeiros e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), o prefeito Gilson de Souza (DEM) anunciou, na manhã de ontem, que não haverá mudança na forma como o atendimento do Samu é prestado na cidade.
O prefeito está em viagem a São Paulo para tratar de assuntos relacionados ao trânsito de Franca. Na capital, ele tomou conhecimento do movimento dos vereadores e decidiu intervir. “Não tem lógica o governo do Estado querer mudar isso. Não vamos permitir”.
Gilson disse que o serviço de atendimento telefônico do Samu já está todo estruturado dentro das exigências feitas pelo Ministério da Saúde. “Somos referência. Além de atender Franca, ainda prestamos serviço a outros 10 municípios da região. Não há motivos para fazer essa transferência que foi anunciada”, disse o prefeito, em entrevista ao programa Hora da Verdade, da Rádio Difusora.
Ainda segundo Gilson de Souza, o Samu funciona por meio de um convênio assinado entre a Prefeitura e o governo federal. “O governo do Estado não tem qualquer ingerência sobre o assunto. Não compete ao governo estadual decidir nada a respeito do Samu e de seus atendimentos. O Samu fica em Franca”.
Gilson disse também que apoia a iniciativa dos vereadores de lutar contra a transferência dos serviços telefônicos dos bombeiros para Ribeirão Preto. “Também defendo a união de Franca e região. Temos que fazer tudo o que pudermos para ajudar, para não permitir a transferência. Temos que prevenir porque depois que o incêndio começa fica muito mais difícil apagá-lo.”
O prefeito afirmou, ainda, que vai aproveitar que está na capital para tentar conversar com o governador a respeito e sensibilizá-lo. “Vou, sim, falar com o governador. Quero entender o porquê dessa mudança. Esse é meu trabalho.”
Também nesta quarta-feira, o deputado estadual Roberto Engler (PSDB) esteve reunido com o secretário da Casa Civil, Samuel Moreira, para tratar do assunto. “Fiquei surpreso com este anúncio. Foi uma decisão tomada pelo governo sobre a qual eu não estava sabendo. Estou perplexo. Como se não bastasse toda a insatisfação com a transferência do 190, o governo me vem com mais essa, querendo transferir mais dois serviços. Não podemos admitir e temos que lutar”.
Engler disse que entregou um ofício ao secretário cobrando explicações e informando oficialmente o governo estadual sobre a indignação com que a notícia foi recebida pela população de Franca e região. O deputado disse que vai participar do movimento iniciado pela Câmara. “Temos que nos unir e mostrar que não vamos aceitar. Temos que lutar. O resultado será consequência do tamanho da nossa luta”, disse.
Histórico
No dia 3, em audiência realizada em Ribeirão Preto, sem a presença de representantes de Franca, o governo do Estado anunciou que vai investir R$ 28 milhões na instalação de um centro de atendimentos de urgência que unirá os serviços da Polícia Militar (190), Polícia Federal (194), Corpo de Bombeiros (193) e Samu (192) de cerca de 80 cidades da macrorregião em Ribeirão.
O anúncio gerou um protesto por parte dos vereadores de Franca, que só tomaram ciência das intenções do governo na segunda-feira. Na sessão da Câmara de terça, eles aprovaram por unanimidade uma moção de repúdio à decisão do governo, apresentada pelo vereador Corrêa Neves Jr. (PSD), e marcaram uma reunião regional para o próximo dia 31 de março, às 18 horas, para acertar detalhes de um manifesto conjunto contra a transferência dos serviços.
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