Cuidado! Não permita que a operação Carne Fraca desfoque sua atenção das reformas política e previdenciária! A ação da Polícia Federal não resultou de alguma teoria de conspiração, algo para dar trégua a políticos tão sofridos. Foi trabalho sério de agente de vigilância que fez o que tinha que fazer. Ainda assim, pode nos distrair das querências dos legisladores e deixar passar o discurso “zerar o déficit da Previdência a qualquer custo”.
Para mim, e para quem se informa, não há déficit. Há e sempre houve má gestão do dinheiro que você e as empresas onde trabalha ou trabalhou entregaram ao governo para garantir sua aposentadoria e que escorreu, tal e qual outros dinheiros públicos, por ralos espúrios.
As listas do Procurador da República Rodrigo Janot garantem que DNA bandido continua definindo personagens e partidos políticos. Se você se espanta, bem vindo ao clube. Tivesse estudado mais história do Brasil, não teria que confessar ignorância. Na terra de Cabral, há corrupção desde o descobrimento; e impunidade em igual dimensão.
Desde o princípio — colonizadores trocando com índios, ouro, pedras preciosas e a quase extinção do pau brasil por álcool, espelhinhos e bugigangas — houve enganação e enriquecimento sem necessidade de trabalho duro. Os primórdios da raça(?) brasileira estão na miscigenação de índios com bandidos arrancados a tapa de cadeias européias e despachados à nova terra para alargarem fronteiras. Como prêmio de consolação, posse de tudo o que seus braços alcançassem.
Tudo, por aqui, tem a cara dessa paternidade nua, crua, preguiçosa, dolente, analfabeta funcional, dependente, incapaz de optar pelo certo se o duvidoso é melhor, ou enriquece mais rápido. As “conquistas” dessa nossa pátria amada de apenas 517 anos não deixam dúvidas: foro privilegiado, desigualdades previdenciárias, agentes fiscalizadores corrompíveis, leis arbitrárias, bandidos endeusados, saúde pública que mais mata que cura, educação nenhuma, carne podre como filosofia empresarial, lei de Gerson a definir o caráter, políticos desavergonhados utilizando cargos públicos para empregar familiares e amigos em postos de altíssimos ganhos; legisladores declarando-se descaradamente, favoráveis ao que partidos que os agasalham negociam com ‘autoridades’ de plantão.
Ontem, amigo que prezo lamentava-se. Perguntei-lhe se podia fazer algo para amenizar o que sentia. Meneou a cabeça, desiludido. “Cansei. Precisamos de uma revolução, e sofrida, muito sofrida”. Afinal, não há magistrados em quaisquer instâncias, contestando leis. Só aplicando, e sem reclamar...
Luiz Neto
Jornalista, mestre cerimonialista, editor, tutor e mentor de fala e gesto - luizneto@luiznetocomunicacao.com.br
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