Em defesa da ética na política


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ENQUANTO A CORRUPÇÃO NÃO FOR EXTIRPADA, O BRASILEIRO VAI CONTINUAR NEGLIGENCIADO
 
A investigação da Lava Jato tem mostrado a realidade que o Brasil vive, nas últimas décadas. A reente Operação Carne Fraca só serve para reafirmar o fato. A corrupção, que envolve agentes públicos e políticos, tem desviado o dinheiro necessário para a melhoria dos serviços públicos, como educação, saúde e segurança. A nossa população vive à mercê de um fisiologismo que corrói o dinheiro dos que pagam impostos e esperam receber em troca benefícios que o Estado tem a obrigação de lhe garantir. Os acontecimentos dos últimos anos demonstram bem como é que se faz política por aqui: é um toma lá, dá cá sem fim, que nasce nos altos escalões da República até chegar aos municípios, onde se trocam apoios por cargos, vantagens e exposição, algo que já deveria ter sido limado de nossa vida pública por ser extremamente imoral e, em alguns casos, ilegal.
 
A falta de ética que move aqueles que foram eleitos para decidir os destinos do cidadão brasileiro, em todas as suas instâncias, fica patente diante das denúncias de corrupção que chega aos mais próximos auxiliares do presidente Michel Temer (PMDB). Apenas um deles, José Yunes, teve a decência de se afastar do cargo depois que teve o nome citado na investigação da Lava Jato. Pelo menos cinco ministros, incluindo o poderoso Eliseu Padilha (Casa Civil), responsável pela articulação política do governo, tem contra si denúncias e evidências vigorosas, capaz de derrubar qualquer autoridade em um país que se diz sério e democrático. Ao contrário daqui: para conseguir maioria no Congresso, o presidente Michel Temer teve que aceitar nomes sugeridos por partidos que formam a base aliada, independente do seu histórico.
 
Ao mesmo tempo, o País permanece à mercê de gestores públicos e legisladores que não se interessam em melhorar a qualidade dos serviços que a população merece. Os seguidos problemas na saúde pública, nos mais diversos pontos do Brasil, é uma prova de que o cidadão comum só é lembrado em ano de eleição. O mesmo acontece quando se fala em educação. Os diversos rankings mundiais mostram que nossas escolas atingem baixos índices para uma Nação que se quer desenvolvida. Nos últimos dias, tornou-se evidente ainda a falta de investimento em segurança pública. A população vê-se encurralada pela violência, que tem partido inclusive daqueles que deveriam garantir a segurança. Falta dinheiro para equipar e formar as forças policiais. Fica claro que o brasileiro não merece a classe política que tem. E, se o eleitor mantiver a mesma postura de sempre, continuaremos à mercê de quem não se interessa pela maioria. É preciso mudar isso e, em pouco mais de um ano, nas eleições, será um momento propício para começar.

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