Universitária pode ter de abandonar sonho de ser médica


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Maria Eduarda Lemos de Oliveira, de 17 anos, não tem dinheiro para pagar os R$ 5,8 mil de mensalidade do curso de medicina
Maria Eduarda Lemos de Oliveira, de 17 anos, não tem dinheiro para pagar os R$ 5,8 mil de mensalidade do curso de medicina
Maria Eduarda Lemos de Oliveira, de 17 anos, ainda não conseguiu tirar do rosto o sorriso desde que recebeu a notícia de que havia sido uma das aprovadas para o curso de medicina da Uni-Facef. Desde os 13 anos, ela sonha em se tornar médica. Filha mais velha de uma família de classe média, Maria sempre soube das dificuldades financeiras dos pais e, para conquistar seu sonho, começou cedo a lutar por bolsas de estudo. Mas agora seu sorriso esconde a preocupação de não saber se conseguirá concluir o curso. 
 
Maria não tem dinheiro para pagar os R$ 5,8 mil de mensalidade. Também não conseguiu bolsa de estudo. Para pagar sua matrícula, seus pais contaram com a ajuda de amigos e familiares. Para a mensalidade de fevereiro, paga com atraso na última sexta-feira, fizeram um empréstimo bancário. “Agora as próximas não sei como faremos”, disse a mãe de Maria Eduarda, a psicóloga Ana Paula Lemos de Oliveira. 
 
As rendas do trabalho de Ana e a de seu marido, José Eduardo, que é representante comercial, juntas, não conseguem pagar a mensalidade e ainda sustentar a família que conta com mais duas filhas, de 8 e 7 anos, além de Maria Eduarda. “Estou desesperada. Minha filha se esforçou tanto. Abriu mão de tanta coisa em nome dos estudos e desse sonho e agora que ela conseguiu o mais difícil, que é passar no vestibular, não temos como pagar”, lamenta Ana. 
 
O drama vivido por Maria Eduarda não é uma exceção. Com a crise financeira e os cortes nos programas federais, conseguir um desconto ou uma bolsa de estudo tem se tornado a cada ano mais difícil. Em Franca, um programa criado pela Prefeitura em 2010, o Bolsa Universidade, deveria ajudar. Mas ele ainda está longe de atingir os propósitos para os quais foi instituído. 
 
Apesar de oferecer bolsas, a porcentagem do desconto ainda é pequena (não ultrapassa os 40%) e a maioria das bolsas são para cursos em que o interesse é menor. Para piorar, nos sete anos de existência do programa, nunca a Prefeitura conseguiu investir todos os recursos previstos no orçamento para o Bolsa Universidade. 
 
A explicação do Poder Público é que, para a concessão de bolsas, é preciso que as faculdades se disponham a aceitar o desconto. Mas as três instituições da cidade (Uni-Facef, Faculdade de Direito e Unifran), segundo o setor responsável pelo programa na Prefeitura, não têm interesse em ampliar a oferta de bolsas. E menos interesse ainda quando se trata de um curso com enorme procura como o de medicina. 
 
Maria Eduarda até tentou conseguir uma bolsa. “Conversei com o reitor da faculdade. Expliquei nossa situação, mas não teve jeito. Ele disse que não tinha instrumentos para me conceder uma bolsa e que se abrisse uma exceção para mim teria que abrir para outros alunos. No fim, nos orientou a procurar um banco”. 
 
Segundo dados apresentados pelo vereador Corrêa Neves Jr. (PSD), apenas 17% dos alunos matriculados no curso de medicina da Uni-Facef, que é um centro universitário municipal que não tem por objetivo o lucro, são de Franca. “Isso prova que temos uma faculdade municipal que é voltada para a elite de outras cidades. Enquanto estudantes carentes daqui de Franca são excluídos por não terem como arcar com as mensalidades. Isso é um absurdo”, disse o vereador.
 
Lucro
Além disso, o balanço financeiro da Uni-Facef no ano passado indica lucro. Segundo dados da Secretaria Municipal de Finanças, o centro universitário arrecadou com as mensalidades R$ 27 milhões e consumiu com folha de pagamento, manutenção e alguns investimentos o equivalente a quase R$ 23 milhões, ficando com um “lucro” de quase R$ 4 milhões. 
 
Corrêa é um dos vereadores que defendem que as faculdades municipais ofereçam mais à sociedade. “Não discuto a qualidade do serviço, apenas acho que elas precisam ter uma função social, precisam atender aquele estudante de Franca que não tem oportunidade”. 
 
O vereador Diretor Marcos (PSDB) também quer que as municipais ampliem o número de bolsas . “Prefiro gastar o dinheiro do orçamento com bolsas de estudo do que com outras iniciativas que não trazem benefício à população”. 
 
O presidente da Câmara, Marco Garcia (PPS), apresentou recentemente um projeto para destinar os recursos do Carnaval para o Bolsa Universidade. “Temos que ter prioridade”. 
 
Enquanto isso, Maria Eduarda segue lutando. “Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance. Vamos pedir ajuda a todos que conhecemos. Não quero deixar meu sonho morrer”. 

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