Andei caminhando por aquela rua antiga. Ela continua igual, apenas eu mudei. Mudei tanto que demorei a reconhecer os sinais do passado.
As pedras eram irregulares, as casas iguais e a solidão de tarde vazia, a mesma.
Caminhando por ali, procurava lembrar tudo o que havia vivido e quais sentimentos eu tinha.
Aí então, eles foram brotando bem lá do fundo.
Tinha cinco anos de novo e minha irmã me levava pelas mãos para o culto de evangelização.
As chinelas havaianas eram as mesmas, velhas e gastas, o vestido de cor indefinida, embora limpo.
O sentimento era de alegria e de aceitação. Neste lugar éramos bem tratadas.
O Centro Espírita ainda existe. Ficou maior e mais bonito. Apenas a casa da minha avó não existe mais; aliás, nem ela existe mais...
A casa foi demolida e minha avó se foi há mais de 20 anos, na inexorabilidade da vida.
Caminho por aquela rua que era o centro da nossa vida, a diversão que podíamos ter.
A alegria volta, mas dor é maior, porque na roda da vida, tudo foi mudando como em um filme branco e preto.
Perdi a noção do lugar exato onde era a casa, só não perdi a noção de quem eu era.
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