O gerente de serviço de transporte, Luciano Marangoni Custódio, foi ouvido nesta tarde pela Cear (Comissão Especial de Assuntos Relevantes), aberta pela Câmara Municipal para fiscalizar o cumprimento dos contratos assinados entre a Empresa São José e a Prefeitura e sugerir soluções para baratear o preço cobrado na tarifa de onibus.
Luciano depôs por mais de duas horas e confirmou que a empresa atua na cidade há anos sem fiscalização específica. Segundo ele, não há nenhum funcionário da Emdef com a atribuição exclusiva de acompanhar os contratos e auditar os números oferecidos pela empresa. Luciano contou todo controle por parte da Prefeitura é feito com base em um programa de informática oferecido e desenvolvido pela empresa Prodata, que é contratada e paga pela própria São José.
A única fiscalização efetiva feita por parte da Prefeitura acontece, segundo o gerente, de maneira esporádica. “De vez em quando, eu solicito uma vistoria nos ônibus que ficam na garagem da empresa. Aí a Emdef manda um funcionário lá de madrugada conferir os números registrados nas catracas”, explicou. Ainda segundo Luciano, essa fiscalização de madrugada se limita ao número total de passageiros. “Como só olham o número da catraca não tem como a gente conferir por exemplo a quantidade de passageiros de cada categoria”.
Ele disse que pelo sistema fornecido pela Prodata dois funcionários da Emdef que ficam no terminal fazem o acompanhamento de rotina de itinerários e horários. Quando alguma irregularidade é constatada, é feita uma comunicação à Emdef. Mas a partir daí não há qualquer acompanhamento sobre quais medidas foram adotadas.
Questionado sobre o processo de licitação do serviço de transporte, Luciano disse que participou muito pouco como convidado e que, depois que o contrato com a São José já estava assinado, percebeu que haviam exigências no edital que seriam desnecessárias. Um dos exemplos seria o número de ônibus, que para ele está bem acima do necessário. Ele não soube precisar o motivo da exigência por parte da Prefeitura e disse que a empresa não chegou a cumpri-la.
Ao final de seu depoimento, o presidente da Cear, o vereador Corrêa Neves Jr. (PSD) fez a requisição de inúmeros documentos relacionados ao transporte público, entre eles cópia do estudo que permitiu a retirada dos cobradores dos ônibus em circulação. Luciano tem cinco dias para apresentar os documentos.
Na tarde desta sexta-feira, o presidente e os dois outros membros da Cear, os vereadores Diretor Marcos (PSDB) e Ilton Ferreira (DEM), devem se reunir para definir os próximos passos da investigação.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.