O drama vivido pelas centenas de famílias que há mais de dois anos esperam pela entrega dos imóveis já sorteados do Conjunto Habitacional Copacabana e, até o início desta semana, não tinham qualquer garantia de que seriam contempladas de fato comoveu os vereadores, que agora querem evitar os chamados “sorteios eleitoreiros” de imóveis populares, que são realizados pela Prefeitura sem previsão de os apartamentos e casas sejam entregues.
A ideia foi apresentada ontem na sessão da Câmara pelo vereador Corrêa Neves Jr. (PSD), que vem acompanhando o drama das famílias do Copacabana. “As pessoas acreditam que vão realizar um sonho. A Prefeitura convoca mais de 20 mil inscritos para o sorteio, faz festa, tira fotos e promete, mas depois não tem como cumprir. Essas famílias sorteadas contam com a entrega dos imóveis, que demora a acontecer. Muitas vezes, essas famílias acabam eliminadas da lista de beneficiados por questões que sequer dependem de sua vontade. Não é justo.”
A proposta recebeu o apoio de outros vereadores. Entre eles, o presidente da Câmara, Marco Garcia (PPS). “Temos que acabar com os ‘sorteios eleitoreiros’, parar de permitir e promover a ilusão. Não podemos ser padaria e vender sonhos”, disse.
Experiente, Marco ainda afirmou que normalmente quando um projeto de instalação de conjuntos habitacionais é aprovado, ainda demora cerca de 720 dias para que ele efetivamente comece a ser construído. “Então, se hoje é anunciada a criação e a liberação de recursos, isso significa que apenas em 2019 é que teremos algo. Falar na entrega ou conclusão de obras antes desse prazo é balela, é falácia.”
Corrêa Neves disse que há semanas vem estudando a elaboração do projeto. “Tenho discutido muito a respeito. Estou preparando uma proposta para que o que houve no Copacabana não se repita. Temos que vedar o sorteio dos imóveis antes da entrega. Inicialmente, estamos pensando em estipular o prazo de 60 dias antes da entrega para que o sorteio possa ser marcado”, disse.
Hidrômetros
Em seu discurso, Corrêa Neves Jr. também falou sobre os problemas encontrados na regularização e entrega dos mais de 400 imóveis do Copacabana. Entre eles, o fato de os hidrômetros não serem individualizados.
“Temos não uma, mas duas leis que proíbem a instalação de hidrômetros coletivos em condomínios, mas ainda assim este item não foi cumprido no Copacabana. Vão ter de fazer ajustes. Agora queria saber por que isso ainda acontece. Por que, mesmo com a existência destas leis, elas não são cumpridas?”, questionou.
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