O CDP (Centro de Detenção Provisória de Franca) fez o lançamento, ontem, da segunda edição da Jornada da Cidadania e Empregabilidade. A intenção é desenvolver atividades para auxiliar na reinserção social e preparar os presos para retornar ao mercado de trabalho.
Durante a jornada, são oferecidos serviços como emissão de RG, CPF e carteira de trabalho, oficinas que auxiliam na preparação para entrevistas de emprego, elaboração de currículos, palestras sobre a retomada da cidadania, atendimento jurídico e exames médicos. “É uma oportunidade para vocês refletirem e reverem seus conceitos. Fica preso quem quer. Só depende de vocês, mudar o rótulo negativo que carregam. Vocês podem ser dignos e decentes lá fora. A oportunidade para mudarem de vida, estamos dando aqui dentro”, disse, para uma plateia de detentos, o diretor do CDP, Válter Moreto.
A secretária municipal de Desenvolvimento, Flávia Lancha, representou a Prefeitura. A pasta dela é a responsável pelo PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), que emite as carteiras de trabalho. Ela se emocionou ao assistir a um vídeo que falava sobre a importância dos filhos seguirem os conselhos dos pais. “A mensagem me tocou profundamente e tem a ver com a situação atual de vocês. A Jornada é a segunda chance que vocês estão recebendo. É uma possibilidade de recomeçar. A esperança nos move e nos motiva a buscar algo melhor. Façam a melhor escolha para vocês, valorizem a vida e sigam seus sonhos.”
Ao longo do ano, o CDP oferece opções de trabalho fixo e educação com aulas voltadas para interessados em fazer o ensino médio e fundamental. Cerca de 300 presos trabalham e recebem um salário mínimo cada. Dentro da unidade, estão em pleno funcionamento oficinas de pesponto da Mariner e de fivelas da Metalvale. São produzidos 270 pares de calçados por dia. A meta é chegar a 600 até o fim do mês.
Além do trabalho voltado ao setor calçadista, também há serviços internos como limpeza, cozinha e artesanato. Há casos em que os presos saíram empregados do CDP, quando conseguiram a liberdade. “Fizemos um levantamento recente e constamos que, entre quem passou por estas etapas que oferecemos aqui dentro, o índice de reincidência é muito pequeno. O trabalho que oferecemos faz a diferença. Muitos dos presos não tiveram a oportunidade de serem vistos e valorizados e de desenvolverem o lado profissional. Esta é a nossa função: melhorar o ser humano aqui dentro”, concluiu o diretor Válter Moreto.
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