CRIAÇÃO DE IMPOSTOS EXPÕE A FALTA DE SAÍDAS DO GOVERNO PARA RESOLVER CRISE
A qualquer aperto, tornou-se rotina no Planalto aventar a hipótese de reinventar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), o imposto do cheque extinto em 2007. Desta vez, segundo declarações recentes do ministro Henrique Meirelles (Fazenda), se a economia não reagir até o próximo ano, não está descartada a hipótese de criação de impostos ou tarifas que reduzam o rombo nas contas do governo. E, neste rol, a CPMF continua sendo a preferida. Mesmo que vá contra os interesses da maioria da população e desagrade parlamentares. Nesta altura do campeonato, o governo já conta com uma base capaz de aprovar qualquer projeto que não interfira nos ganhos de nossos congressistas.
Segundo fontes da equipe econômica, Meirelles à frente, o governo não vê outra saída para dar a volta na grave crise que o País atravessa por considerar a situação das contas públicas muito grave. De acordo com estas mesmas fontes, mesmo com ligeira melhora nos índices, a situação caminha para um quadro de paralisação da máquina pública. A avaliação no governo é que a CPMF é fácil de arrecadar e ainda ajuda a combater a sonegação. Além disso, o imposto teria menor impacto inflacionário e seria mais distributivo, conforme os ‘mentores’ da ideia. O problema é que o brasileiro já não suporta mais arcar com uma das mais altas cargas tributárias do mundo sem que receba de volta o que pague em serviços de qualidade. Pesquisa recente mostra que o Brasil é um dos que mais arrecada no mundo e o que menos devolve em Saúde e Educação, num ranking composto por 30 nações.
A necessidade de uma completa reformulação da política tributária já foi levantada aqui. E, como se pode ver, não serão mais impostos que irão tirar o País do atoleiro econômico que vive na atualidade. Fica muito fácil aumentar a arrecadação para cobrir os rombos do orçamento federal, mas não será desta forma que o País conseguirá sair desta recessão que, já é capaz de se ver, deverá perdurar ainda ao longo de 2017. A questão passa ainda pela redução da máquina administrativa e dos benefícios que existem nos Três Poderes que não são estendidos ao trabalhador comum. Todos precisam contribuir com sua parcela de sacrifício para que os prejuízos não recaiam apenas naqueles que menos têm culpa por este estado de coisas. Espera-se que o governo pondere a respeito e não crie uma situação ainda mais insuportável para quem já faz muito pela economia brasileira e insustentável para o presidente Michel Temer.
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