A vida nos permite conviver com pessoas nos momentos de saúde e de doença. Gostamos dos momentos de saúde, pois ele nos traz alegria, paz, vivacidade, possibilidade de sonhar e de pensar no futuro. Nos momentos de doença, sentimos tristeza, angústia, medo e refletimos sobre o que vivemos e deixamos de viver, além de questionar sobre o que realmente importa. Nos momentos de saúde estamos rodeados de pessoas e nos de doença, quase sempre, de alguns poucos. Doar tempo e disponibilidade nos momentos de doença nos permite descobrir o valor que temos e damos para os familiares, os empregos, os amigos, os bens, etc.
A doença, em muitos casos, é um resultado da vida estressada que somos ‘obrigados’ a tolerar. Pesquisas científicas revelam que chefes ruins podem adoecer os funcionários e que decepções pessoais e profissionais não elaboradas geram alto índice de stress, que por sua vez canalizam para a raiva e a tristeza. Adoecemos emocionalmente e como consequência, o corpo físico sente e adoece também. Doenças como câncer, depressão, síndrome do pânico tem aumentado a cada dia e, além dos danos pessoais, provocam danos econômicos e financeiros, já que o Estado é obrigado a fornecer medicamentos para tratar os cidadãos. A saúde pública é uma responsabilidade do Estado, logo, é melhor estarmos bem e com saúde, já que estar saudável é bom para todos!
Essa semana tenho tido a oportunidade de estar junto de um irmão que está fazendo tratamento de câncer e, nessa situação, a conversa revelou-se diferente das outras. Além das do cotidiano, aspectos muitos sensíveis que não conversamos, surgiram. A conversa é muito mais profunda e verdadeira, há um encontro com a subjetividade humana, justamente essa que possivelmente foi a causadora da doença física. Inúmeras são as reflexões nos momentos de doença, mas uma é certa, a saúde é um bem inalienável e dela temos que cuidar, pois uma vez debilitada ou fragilizada, alguns valores que acreditávamos como certo, por exemplo, “fazer falta no trabalho”, “ser insubstituível”, revela um grande engano, pois, “somos facilmente substituídos”, o “trabalho continuará sem nós” e “a vida seguirá o seu destino com ou sem a nossa presença”. Com isso, descobrimos nos momentos de doença quem se importa conosco e com quem nos importamos. A saúde e a doença revelam muito de nós, de quem somos, como pensamos e como reagimos nesses momentos antagônicos e extremos. Por isso, é bom estarmos com as pessoas tanto nos momentos de saúde quanto nos de doença, já que somos os mais beneficiados por temos a possibilidade de crescemos como ser humano no momento em que damos e recebemos carinho e afeto verdadeiros.
Acir de Matos Gomes
Advogado e professor universitário
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