'Você é a pessoa mais capaz para realizar seus sonhos'


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O 8 de março é celebrado como Dia Internacional da Mulher desde meados da década de 1960. É um marco de uma série de reivindicações e conquistas de direitos, sobretudo no âmbito trabalhista. Na semana dedicada a elas, o Comércio entrevistou uma jovem que é símbolo de perseverança, superação e sucesso. Com apenas 27 anos, a francana Daiana Donadeli Cardoso conquistou um cargo de chefia e destaque em uma das três unidades do McDonald’s de Franca e hoje é exemplo para os funcionários que coordena. 
 
Formada em administração pelo Centro Universitário Uni-Facef e em recursos humanos pela Unifran (Universidade de Franca), a gerente de restaurante, que entrou na unidade da avenida Dr. Ismael Alonso y Alonso como atendente com apenas 17 anos de idade, é um exemplo do espaço das mulheres no mercado de trabalho que, apesar de ter avançado nas últimas décadas, ainda segue longe do ideal, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). 
 
De acordo com números divulgados nesta semana pela entidade, apenas 50% das mulheres em idade economicamente ativa participam do mercado de trabalho. Entre os homens, o índice sobe para 76%. Outro aspecto da desigualdade de gênero é a disparidade salarial. Em média, homens ganham 23% a mais do que as mulheres. Para a agência das Nações Unidas, machismo e desigualdades estruturais estão por trás da dificuldade que as mulheres enfrentam para se inserir no universo do trabalho formal.
 
Vinda de uma família humilde, filha de uma dona de casa e um motorista, Daiana, que concluiu os ensinos Fundamental e Médio na Escola Estadual “Maria Pia Silva Castro”, entrou na lanchonete após uma amiga entregar um currículo a seu pedido. De lá pra cá ocupou todos os cargos possíveis na empresa. Foi treinadora, assistente administrativa, gerente de área, gerente de plantão, gerente assistente até ocupar o atual cargo, considerado o mais alto do setor na empresa. Para isso participou de diversos treinamentos e teve que vencer dificuldades pessoais, como uma forte timidez. 
 
Hoje você ocupa um cargo de liderança. Como foi o início dessa trajetória?
Na verdade eu sempre fui uma garota bem tímida e nunca tinha trabalhado. Uma amiga era funcionária da rede e, depois que pedi, ela entregou meu currículo. Dois dias depois fui chamada para a entrevista e posteriormente para a entrega dos documentos. Isso aconteceu em 2005, quando eu tinha acabado de concluir o ensino médio. Passei por vários treinamentos, ocupei todos os cargos possíveis na empresa, desde atendente até assistente administrativa, até chegar ao posto que ocupo hoje. Quando me tornei gerente de restaurante, fui a segunda mulher a ocupar o posto na cidade, já que a unidade do Franca Shopping na época era gerenciado por uma mulher também. Hoje sou a única. 
 
Hoje as lojas da rede no interior contam com mais mulheres do que homens trabalhando. A que você atribui essa realidade?
Sou responsável por comandar 24 funcionários, além de 7 gerentes das áreas de plantão e do administrativo. No caso dos gerentes, tenho apenas 2 mulheres e 5 homens, mas no caso dos outros funcionários 2/3 são mulheres. Na minha opinião, as mulheres, pelo menos pelo que observo pela minha experiência como gerente, se adaptam melhor às dificuldades e conseguem estar sempre um passo à frente dos homens. Também registro que não temos desigualdade de salários e cada um deles recebe pela função, independente de ser homem ou mulher, e acho que isso já é um avanço.
 
Você já sentiu alguma dificuldade por ocupar um cargo de gerência sendo mulher?
Posso afirmar com toda certeza que nunca senti nenhum tipo de discriminação apenas por ser mulher. Tive dificuldades, mas elas estiveram mais ligadas as minhas inseguranças do que ao meu gênero. Talvez o fato de ser mulher e ver muitos homens nos cargos de gerência tenha me intimidado, porém era uma insegurança minha e que nunca foi motivada pela empresa ou mesmo pelos meus companheiros de trabalho. Com o tempo fui me especializando, aproveitando todas as oportunidades que tive e desenvolvendo meu talento, por isso cheguei ao cargo que ocupo atualmente e superei esses problemas. Mas todo o caminho que percorri foi repleto de respeito.
 
Como você enxerga hoje a inserção da mulher no mercado de trabalho no Brasil?
Acredito que evoluímos muito. É claro que ainda existe desigualdade, cargos em que elas recebem menos do que os homens mesmo exercendo exatamente as mesmas funções, mas crescemos muito. Hoje a mulher sabe que pode tudo e é capaz de fazer qualquer coisa e ocupar qualquer função. Não existem mais trabalhos que são exclusivos e, independente de gênero, o importante é aproveitar as oportunidades. Se especializar, buscar sempre o conhecimento, melhorar, ter ambição e perseguir suas metas. 
 
Com a sua história, as coisas que conquistou e as experiências que viveu, acredita que estamos mais perto de um mercado de trabalho mais justo para as mulheres ou ainda existe um longo caminho a ser percorrido?
O caminho existe não tem como negar, só que estamos, sim, mais perto. Não dá pra ignorar as conquistas das mulheres nas últimas décadas. Como disse, elas podem tudo e se sobressaem em muitos campos e é importante saber aproveitar as oportunidades. Claro que ainda estamos longe do ideal, mas a cada dia damos mais um passo e precisamos continuar lutando pelos nossos direitos e por dias ainda melhores. 
 
Que dica você daria para as mulheres que estão ingressando agora no mercado de trabalho ou mesmo aquelas que, assim como você, almejam cargos de destaque nas áreas em que atuam?
Acho que todas temos a capacidade de conseguir tudo o que quisermos. Basta ter fé, perseverança e humildade para buscar os seus objetivos e ir atrás dos seus sonhos, afinal você é a pessoa mais capaz de realizá-los. Crescemos muito, conquistamos mais ainda e devemos focar em tudo de bom que temos a oferecer e no que desejamos e minha trajetória mostra isso.Comecei como atendente e hoje ocupo um cargo de destaque. Cheguei sem saber muito e hoje me sinto preparada para a vida.

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