A empresária Luiza Helena Trajano foi convidada para falar sobre Empreendedorismo Feminino e Liderança em seminário realizado pelo Senado Federal na última terça-feira, véspera do Dia Internacional da Mulher. Disse ser preciso um amplo esforço nos setores público e privado para promover a equidade de gênero. As informações são da Agência Senado.
A palestra foi um dos três eventos do primeiro dia da programação especial comemorativa do mês da mulher no Senado, com o tema Março Mulheres — Igualdade no Trabalho.
Luiza Trajano foi apresentada pela procuradora especial da Mulher do Senado, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). A senadora lamentou o baixo índice de mulheres no cenário político brasileiro atual e destacou a importância da presidente do Maganize Luiza, como mulher e presidente de conselho de uma grande empresa. “A Luiza garante para as mulheres que trabalham com ela direitos que outras empresas não garantem. E o maior desafio que temos é buscar a igualdade para que sejamos respeitadas. Nós somos diferentes dos homens, mas não podemos ser tratadas com desigualdade”, afirmou a senadora.
A empresária defendeu a criação de cotas para mulheres nos altos cargos de empresas públicas e também nas privadas. Ela mostrou dados que indicam um número de mulheres com nível superior 20% maior do que o de homens. No entanto, menos de 5% das mulheres ocupam cargos executivos em diretorias e presidências de empresas. “Quando surgiu a cota para pessoas com deficiência, olhamos para o nosso quadro e ficamos com vergonha, porque (o número de funcionários com deficiência) era muito baixo. Então fomos abraçando a causa e hoje nem precisamos olhar o número estipulado para a cota, porque temos muito mais. Portanto, a cota é um processo transitório para acertar uma desigualdade”, disse ela.
A empresária também falou das mudanças de pensamento ao longo dos anos e enfatizou a necessidade de combater a desigualdade. “Antes, o domínio da sociedade era medido pela força física. Depois, passou a ser por quem tinha mais dinheiro. Mas atualmente quem tem o poder é quem tem conhecimento e faz acontecer. Eu não sou contra os homens, eu sou apenas a favor das mulheres. É a união das forças masculinas e femininas que faz a diferença.”
Trabalho fora de casa
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a empresa pesquisa de opinião Gallup divulgaram, na última quarta, levantamento demonstrando que 70% das mulheres e 66% dos homens no mundo entendem que as mulheres devem ter trabalhos remunerados. No Brasil, o índice é de 72% das mulheres e 66% dos homens.
O documento Rumo a um futuro melhor para mulheres e trabalho: vozes de mulheres e homens fornece um relato inédito sobre atitudes e percepções globais sobre o tema das mulheres no mundo do trabalho. A pesquisa ouviu quase 149 mil pessoas em 142 países e territórios, incluindo o Brasil, e representa mais de 99% da população adulta global.
Os resultados mostram que mulheres em todo o mundo preferem ter trabalhos remunerados (29%) ou estar em situações em que poderiam trabalhar e também cuidar de suas famílias (41%). De acordo com o relatório, apenas 27% das mulheres no mundo querem ficar em casa, exercendo um trabalho não remunerado.
Ainda segundo a pesquisa, o índice de 70% de mulheres no mundo que gostariam de ter trabalhos remunerados inclui a maioria das mulheres que não está no mercado de trabalho. Os dados valem para quase todas as regiões do planeta, incluindo aquelas onde a participação das mulheres na força de trabalho é tradicionalmente baixa, como Estados e territórios árabes.
Opiniões convergem
O relatório aponta que 28% dos homens gostaria que as mulheres de suas famílias tivessem trabalhos remunerados, enquanto 29% gostariam que elas ficassem apenas em casa e 38% prefeririam que elas pudessem fazer as duas coisas.
Mulheres que trabalham em tempo integral para um empregador (mais de 30 horas por semana) são mais inclinadas a preferir situações nas quais pudessem equilibrar o trabalho e as obrigações da família. Mulheres e homens com níveis mais elevados de educação também são mais propensos a preferir que as mulheres tenham trabalhos remunerados e cuidem de suas casas e famílias.
“Esta pesquisa mostra claramente que a maioria das mulheres e dos homens em todo o mundo prefere que as mulheres tenham trabalhos remunerados. Políticas de apoio às famílias, que permitam que as mulheres permaneçam e progridam no trabalho remunerado e incentivem os homens a assumir a sua parte justa do trabalho de cuidados da família e da casa, são cruciais para alcançar a igualdade de gênero no trabalho”, disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.
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