Morador de rua, Centro Pop, Dória


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A solução definitiva, ninguém tem. Mas há caminhos possíveis
 
Alguns números divulgados nas últimas semanas, a respeito dos moradores de rua, despertaram a atenção. Primeiro, em fevereiro, um levantamento feito pelo programa Empreender Social da Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca) mostrou que os moradores de rua na cidade arrecadariam cerca de R$ 6 milhões por mês, com esmolas. Agora, nesta primeira semana de março, veio a tona que Franca tem 800 moradores de rua, dos quais 500 são de outras cidades. O dado é da prefeitura, parte de um levantamento foi feito pela Secretaria Municipal de Ação Social que, revelou, ainda que, por ano, a Prefeitura gasta com os programas de atendimento à população de rua o equivalente a R$ 1,2 milhão, cerca de R$ 100 mil por mês. Deste montante, apenas 18% vêm do governo federal. O restante vem do cofres municipais.
 
Todos os números são surpreendentes e preocupantes. Revelam a necessidade imediata de se pensar melhor a questão do indivíduo em condição de rua. No caso dos valores arrecadados via esmola, especialistas afirmam que a maior parte disso vai para o tráfico de drogas. É preciso uma destinação melhor. Um caminho para isso começa a ser desenhado por meio do projeto Vírgula. Inspirado em uma iniciativa da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o projeto vai estimular que o consumidor destine todo seu troco miúdo, menor que R$ 1, para as instituições que atendem esse público. O repasse é feito por meio de sistemas específicos de informática. 
 
Para solucionar os outros pontos, é mais complexo. Quando se constata que 62% dos moradores de rua de Franca são migrantes, é impossível não imaginar que Franca vem se tornando um polo de atração deste contingente. Muito provavelmente porque aqui eles encontram estrutura inexistente em outros locais. Na lista, aparece com destaque o Centro Pop, que acolhe qualquer morador de rua, oferece refeições, local para banho, e atendimento médico. É, sem dúvida, um grande atrativo, principalmente considerando-se que para se beneficiar da estrutura, não se exige nenhuma contrapartida do beneficiado. Nada. 
 
Além de ter alto custo de manutenção, o serviço não ajuda a melhorar de fato a condição desses moradores de rua, uma vez que o Centro Pop não oferece oportunidade para uma verdadeira mudança de vida. É difícil mexer no Centro Pop? É. Mas quem disse que ia ser fácil? O fato é que algo precisa ser feito. E rápido.
 
A solução pronta e definitiva, ninguém tem. Mas há caminhos possíveis. Um deles, sem dúvida, é que o beneficiado pelo atendimento tenha um compromisso. O prefeito de São Paulo, João Dória, por exemplo, selou parceria com o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado, que vai criar milhares de vagas de emprego para os moradores de rua. As empresas pagarão salário mínimo e plano de saúde. Em troca, os candidatos terão que se comprometer a deixar as ruas em 90 dias. Não haverá gasto público. Para Dória, isso é o começo da “conquista de dignidade” para os moradores de rua. Poderia servir de inspiração para Franca.

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