Um dia após a técnica em enfermagem acusada de aplicar o medicamento errado, que provocou a morte da fotógrafa Zélia Lúcia Barbosa Moreira, 46, prestar depoimento à polícia, a família da vítima também falou sobre a ocorrência que chocou a cidade no mês passado.
A técnica esteve na delegacia quarta-feira. Ela admitiu que o remédio não era o correto, mas afirmou não ser a única culpada. Disse que foi vítima de uma sucessão de falhas que aconteceram dentro do hospital. “Me foi entregue a medicação errada. A medicação certa estava em outro lugar.” Pediu desculpas.
Na tarde de ontem, o Comércio conversou com a dona de casa Lucimar Barbosa, irmã de Zélia. Ela falou sobre o sentimento da família e aceitou as justificativas apresentadas pela técnica em enfermagem. “A gente sente muita dor. O coração ainda está muito machucado mas, ao mesmo tempo, entendemos a parte da enfermeira. O ser humano é falho. A gente erra, mas não foi só ela que errou. Foi uma equipe. A gente entende que ela não pode assumir sozinha a culpa. O erro dela foi não conferir.”
Lucimar afirmou que o episódio envolvendo sua irmã deve servir como aprendizado para a Santa Casa mudar os procedimentos internos. “Estamos vendo por este lado. Perdemos uma pessoa querida, que a gente ama, mas não tem como voltar atrás. Esperamos que as pessoas tenham mais atenção, pois estão mexendo com vidas. É preciso trabalhar com mais humanismo e sempre conferir o medicamento que está sendo dado aos pacientes.”
A irmã de Zélia disse que a família não está pedindo punição nem processando ninguém. “Queremos entender o que aconteceu, por que a medicação estava ali. Entendemos que estão querendo culpar uma única pessoa, mas é preciso que todos os responsáveis assumam o erro. Ela não colocou o remédio ali. Deram o remédio para ela, estava lá, teve outro que colocou lá.”
Outro lado
Em nota enviada à redação, a Santa Casa, informou que, ao contrário do teor da entrevista dada pela técnica de enfermagem à imprensa, o protocolo determinado a qualquer profissional da área da saúde é o de, antes de aplicar qualquer medicação em qualquer paciente, checar e conferir o frasco da medicação e a prescrição médica contendo nome, a quantidade e a forma de aplicação, entre outros procedimentos. “A técnica tinha como função específica neste hospital, justamente, a aplicação de medicações em pacientes”.
O texto diz ainda que, apesar da técnica estar grávida, “a gravidade da conduta praticada por esta não mais permitia a continuidade da relação de trabalho, razão pela qual ocorreu sua demissão de forma legal”. A Santa Casa finalizou dizendo que está contribuindo com as investigações policiais.
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