Violência contra a mulher persiste


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Temos que rever comportamentos para evitar que os abusos se instalem 
 
Foi assunto ontem, nas veículos de comunicação de todo país, dezenas de pautas voltadas à comemoração do Dia da Mulher. A violência contra a mulher esteve entre os assuntos mais debatidos e divulgados. Esse Comércio trouxe o resultado de uma pesquisa encomendada pelo Fórum de Segurança Pública, e realizada pelo Instituto Datafolha, que mostrou que, a cada hora, 503 mulheres sofreram algum tipo de agressão física em 2016 no Brasil. Os dados mostraram que, ao longo do ano passado, 29% das mulheres sofreram algum tipo de violência, física ou moral. 
 
A maior parte dos agressores, segundo os relatos das mulheres, era conhecida (61%). Os cônjuges, namorados e companheiros aparecem como responsáveis em 19% dos casos. Os ex-companheiros representam 16% dos agressores. Sobre as reações após a violência, outros dados perturbadores. Mais da metade das mulheres disse não ter feito nada após a agressão, 13% procuraram ajuda da família, 12% buscaram apoio de amigos e 11% foram a uma delegacia da mulher. 
 
Os números preocupantes entristecem, mas, infelizmente, não são novos. A persistência da violência contra a mulher revela a necessidade urgente de um profundo olhar sobre a origem dessa violência. Mas de nada adianta ficar apenas na discussão e reflexão. É necessário um compromisso efetivo e ação por parte das autoridades para coibir esse tipo de situação. Mas as mudanças podem, e devem, partir de nós mesmos, também. É urgente revermos e nos conscientizarmos a respeito de comportamentos considerados “normais”, mas, que, na verdade, abrem a brecha necessária para que a violência se instale e alcance tantas mulheres. Mesmo os traços culturais, tão arraigados, têm que ser revisto. Vivemos um novo contexto histórico e mesmo os comportamentos mais internalizados podem ser rompidos trazem prejuízo ao coletivo. 
 
O Dossiê Violência contra as Mulheres, uma ferramenta do Instituto Patrícia Galvão, visa contribuir para a ampliação e o aprofundamento do debate sobre o tema e defende que “É preciso reconhecer as diferentes formas de violência, dimensionar este grave problema social e, assim, avançar em concepções e práticas que revertam o quadro que autoriza e perpetua agressões reiteradas contra mulheres e meninas”. A caminhada para se chegar a um novo cenário é longa. A se comemorar, nessa semana de reflexão, é constatar que passos importantes vêm sendo dados nessa direção.
 

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