Acusada culpa série de erros por morte de fotógrafa


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A mulher de 28 anos foi ouvida pelo delegado Luiz Carlos da Silva, responsável pelo 1º DP, no período da tarde
A mulher de 28 anos foi ouvida pelo delegado Luiz Carlos da Silva, responsável pelo 1º DP, no período da tarde
A técnica em enfermagem acusada de aplicar um medicamento errado e provocar a morte da fotógrafa Zélia Lúcia Barbosa Moreira, 46, no dia 26 de janeiro, prestou depoimento ontem à Polícia Civil. Ela admitiu que a medicação não era a correta, mas afirmou não ser a culpada. Disse que também foi vítima de uma sucessão de falhas que aconteceram dentro do hospital. Pediu desculpas aos familiares de Zélia.
 
A mulher de 28 anos foi ouvida pelo delegado Luiz Carlos da Silva, responsável pelo 1º DP, no período da tarde. Ela falou por aproximadamente uma hora. Estava sem advogado. Apenas a mãe a acompanhou até a delegacia.
 
Após o depoimento, ela conversou com o Comércio e falou pela primeira vez sobre o que aconteceu dentro do quarto, onde a fotógrafa esperava apenas uma medicação para voltar para casa. “Eu cheguei para trabalhar e me foi passada a medicação que deveria ser administrada em uma paciente que precisava passar pelo procedimento de pulsoterapia. Peguei a ampola e fiz a aplicação. Ela começou a ter reações e eu pausei na hora. Chamei colegas e o médico plantonista para tentar reverter a situação.”
 
Foi só neste momento que a técnica de enfermagem descobriu que deu o remédio errado para a fotógrafa. Havia aplicado anestesia na veia da paciente em vez do remédio usual. “Me foi entregue a medicação errada. A medicação certa estava em outro lugar. Foi um técnico em enfermagem que me entregou e disse como deveria ser feito o procedimento.”
 
Mesmo não tendo visto a prescrição médica, para comparar a medicação, ela fez a aplicação do remédio que diz ter recebido do colega. “O técnico que estava durante o dia já tinha feito duas etapas da medicação e só faltava a última, que me foi passada. Peguei automaticamente e administrei. Sempre fui muito atenciosa e dedicada com meu serviço. Nunca fiz nada em dúvida. Foi uma fatalidade.”
 
A mulher disse que está pagando sozinha por uma falha coletiva. “O erro terminou em mim, mas começou de várias pessoas. A medicação não era de competência de um setor aberto, mas de competência do centro cirúrgico. Somente um anestesista poderia administrar.”
 
Demitida da Santa Casa mesmo estando grávida de quatro meses, ela pediu desculpas aos familiares de Zélia. “Nenhuma condenação ou punição que eu tiver serão maiores do que minha consciência e o que eu vou carregar para o resto da minha vida. Nada é pior do que a consciência da gente.”
 
A polícia ainda pretende ouvir outras testemunhas e aguarda o resultado de exames para concluir o inquérito e remeter o caso à Justiça. A ocorrência foi registrada como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
 
A reportagem não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da Santa Casa, no início da noite dessa quarta-feira.

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