‘Ah, deixa pra lá, isso é coisa de criança!”. A frase ecoa da boca de muitos adultos ao se deparar com comportamentos inadequados dos pequenos. Espera aí! Em que tempo vivemos no qual os pais e responsáveis viram as costas para a clemência do limite? Estamos na era do permissivismo, do “tudo pode” e o medo de errar é tamanho que amarra a educação no convívio familiar. Perderam-se os valores... Corrigir é imprescindível e não existe tempo apropriado para a prática. Toda hora é hora.
Noticiários estão abarrotados de cenas de crueldade. Empoderada e dona da verdade, a juventude compõe boa parte das ocorrências. Assistimos filhos matando pais, moradores de rua agredidos por jovens, depredação de bens públicos e privados, brigas e uma série de condutas reprováveis em todos os campos da vida humana... Reflexos da falta de limites.
Desde muito cedo, o ser humano necessita ser lapidado e os responsáveis por sua formação não podem negligenciar a obrigação de assumir o papel e colaborar neste processo. Nesta edificação, os pequenos estão à espera do “não”, do “sim”, do “pode”, “não pode”, do direcionamento... Dialogar e orientar são verbos de batalha.
A falta de lapidação da criança pode causar-lhe rejeição social. Aliás, quem suporta uma onda de malcriação e condutas impróprias? E do que os filhos realmente carecem? Muitos pais, consumidos pelo mercado de trabalho, querem suprir a ausência física e falta de qualidade de tempo com a concessão de bens materiais. Vivem na base da substituição. Brinquedos, rotina de atividades, os mais caros colégios e produtos...Em troca da omissão. Não que os bens materiais não sejam importantes para os filhos, sobretudo no quesito educação. São, mas não substituem o diálogo, o olho no olho, a presença, a sinceridade nas palavras, o amor... Devem caminhar juntos, na medida do bolso de cada um!
Ser omisso custa caro. Com base neste cenário, muitos pais, quando estão juntos da prole, não querem cobrar, chamar a atenção, corrigir, se indispor... Relevam as birras, os ataques de fúria, de rebeldia, os atos de egoísmo, o emburramento quando contrariado, o desrespeito, a quebra de regras e, desta forma, formam cidadãos sem limites, com grandes pré-disposições para os conflitos de relacionamento. Certamente, quando adultos, se frustrarão diante de todo e qualquer “não”, pois terão experimentado pouco do ouvir, mas apenas do falar, falar, falar...
Aos pequeninos, frases curtas são mais bem interpretadas. O tom de voz, da mesma forma, ajuda neste processo. Crianças com perfil de liderança querem mandar na família e se não há controle, de fato, isso ocorre. Por aqui, para entender a hierarquia, partimos para a fábula, a fantasia: como no castelo, eu sou rei, mamãe é rainha e ele o príncipe. Príncipes não mandam, obedecem, cumprem ordens do monarca! Ele entendeu... Mas confesso, vive encontrando meios de se igualar... Já identificou a princesa na sala de aula, quer crescer, também ordenar... Nos cobra disciplina a todo tempo!
A criança que, desde a mais tenra idade, têm contato com valores sociais, éticos, morais, religiosos, será um adulto com melhores condições de administrar o bombardeio de informação e quebra de paradigmas, que muitas vezes, não são construtivos ao comportamento.
A luta familiar é diária, o investimento no filho indispensável, na esperança que a geração futura esteja mais próxima da transição mundial que almejamos. Pessoas mais humildes, seguras, humanas e que acima de tudo estejam dotadas de virtudes para o comportamento social adequado e de mais respeito ao próximo.
Leandro Nigre
pai, jornalista, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe do jornal O Imparcial, em Presidente Prudente, e idealizador do projeto Papai Educa www.papaieduca.com.br
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