Governo Alexandre queimou


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Alexandre Ferreira exaltou sua gestão, mas omitiu receitas
Alexandre Ferreira exaltou sua gestão, mas omitiu receitas
Em seu discurso de despedida do comando da Prefeitura, no dia 1º de janeiro, o ex-prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) fez questão de exaltar a eficiência de sua gestão. Para isso, citou dados financeiros e afirmou que deixou em caixa disponíveis para quaisquer gastos mais de R$ 38 milhões. O que Alexandre não disse é que boa parte desses recursos não foram fruto de economia ou eficiência de seu governo. Mas, sim, resultado da venda de imóveis do município e de uma receita extra vinda do Governo Federal. 
 
Quem revelou a origem dos recursos deixados pelo ex-prefeito foi o agora ex-secretário municipal de Finanças, Sebastião Ananias. 
 
Ele esteve na Câmara de Vereadores na semana passada para explicar as razões de sua demissão e, em seu discurso, afirmou que os dados apresentados por Alexandre não retratam a realidade. “A bem da verdade, há que se dizer que a Prefeitura vendeu ativos. Foram R$ 24,9 milhões obtidos com a vendas de seis postos de combustíveis. Além disso, houve a repatriação de recursos que estavam em outros países. Isso rendeu à Prefeitura uma receita extra de cerca de R$ 3 milhões. Então, o valor real deixado pelo ex-governo é de cerca de R$ 10 milhões”, disse. 
 
Esse valor seria suficiente apenas para manter a Prefeitura funcionando por uma semana, já que o gasto diário é de R$ 1,6 milhão. 
 
Segundo dados apresentados pela atual secretária de Finanças, Neide Lopes, na audiência pública de prestação de contas do ano passado realizada também na Câmara Municipal no último dia 23 de fevereiro, quando assumiu a Prefeitura em janeiro de 2013, Alexandre encontrou nas contas do município R$ 38,8 milhões, deixados por seu antecessor Sidnei Rocha (PSDB). Assim, os gastos da reserva na caixa da Prefeitura durante os quatro anos do último governo ultrapassariam os R$ 28 milhões. Neide também comandou a pasta no governo de Alexandre Ferreira.
 
Ainda de acordo com a secretária, destes valores, R$ 8 milhões foram utilizados para o pagamento antecipado das férias dos servidores, uma exigência feita pelo Tribunal de Contas. “Antigamente, fazíamos o pagamento das férias apenas uma vez por ano. Normalmente, em janeiro. No ano passado, tivemos que nos ajustar a uma determinação do Tribunal de Contas e fazer a antecipação. Então, acabamos pagando férias em janeiro e em dezembro”, explicou. 
 
Os outros R$ 20 milhões não foram detalhados. A secretária apenas citou ajuda de custo à Santa Casa e à Apae (Associação de Pais e Amigos do Excepcional) e o aumento dos custos com o Programa Mais Creche, mas não citou valores específicos.

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