Em que pesem todos o cuidado com a edição, erros acontecem. E assombram
Jornalismo é uma atividade dinâmica. Aprende-se com as entrevistas, com as viagens, com as coberturas, com as dificuldades. Aprende-se também com os desafios, com os problemas e, especial e dolorosamente, com os erros. Ontem foi um dia de aprendizado para a equipe do GCN.net e também do Comércio, que fornece parte do conteúdo utilizado pelo portal. O portal GCN publicou um erro lamentável.
A matéria, que trata do estupro cometido contra uma jovem de 14 anos por seu próprio padrasto, foi abordada da pior forma possível. Embora o erro tenha sido rapidamente identificado e a matéria retirada do ar imediatamente, não foi possível evitar o evidente constrangimento.
A história era absurda por si só. Uma menina vem sendo estuprada por seu padrasto, um servente de 47 anos, há mais de um ano. O acusado admite que mantém relações sexuais com a enteada desde quando ela tinha 13 anos. Em troca, a “presenteava” com dinheiro e salgados. Ainda que consentido, é estupro, por conta da idade da vítima – além de abjeto.
A primeira notícia divulgada simplesmente não traduzia a seriedade do caso, reduzindo a questão a uma “transa” que terminava em confusão. O problema era evidentemente muito mais sério. Vários internautas se manifestaram apontando cobrando a correção. Isso agilizou a imediata retirada do conteúdo do ar. O portal se desculpou publicamente pelo ocorrido.
Um erro não define uma pessoa, assim como também não define um jornal. O portal GCN – e o Comércio – tem uma longa história de defesa dos valores humanos. Foi através destas páginas, para ficar num exemplo, que o mundo soube dos abusos sexuais cometidos pelo padre Dé contra vários garotos. O jornal teve a coragem de publicar a história com o nome do acusado. Acompanhou o caso durante semanas. Nunca se deixou intimidar pelas pressões para que recuasse. Sempre agiu com coragem ao longo da história.
Sobre o erro de ontem, é importante ressaltar que nada foi publicado no impresso. Também não foi exposto no portal imagens da vítima, seu nome, o nome dos seus pais ou do padrasto agressor. Não anula o problema, mas reduz enormemente sua dimensão.
Ainda assim, uma grave falha foi cometida. Os profissionais envolvidos, foram advertidos. Os procedimentos, mais uma vez, revistos. As responsabilidades, assumidas. E as desculpas, apresentadas. Agora, é seguir em frente. Com ainda mais cuidado, zelo, critério e rigor.
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