Carnaval fracassado


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Foi triste constatar a decadência do Carnaval deste ano em algumas cidades da nossa região. Algumas foram, no passado, verdadeiros ícones em termos carnavalescos.
 
Os motivos para essas frustradas festividades de momo foram vários: dificuldades financeiras, febre amarela, tempo escasso para se realizar as indispensáveis licitações que permitam a contratação de cantores e bandas, além das dificuldades naturais para se aprovar, junto às casas legislativas, leis municipais que permitam ajudas financeiras a blocos e escolas de samba.
 
Mas o fato mais marcante foi, sem dúvida, a falta de recursos financeiros. A maioria dos novos alcaides recebeu a Prefeitura com os cofres vazios. Só para exemplificar, o primeiro ato do prefeito de Passos (MG) foi decretar “Estado de Calamidade Financeira”.
 
A vizinha Batatais, que há muito tempo ostenta o título de melhor carnaval da região, suspendeu, ainda que parcialmente, os desfiles.
 
Nas cidades mineiras de Cássia e Delfinópolis, o motivo teria sido o risco de uma epidemia de febre amarela. Porém, vários populares daquelas cidades desconfiam que a suspensão do carnaval visou, apenas, conter gastos.
 
É evidente que em momentos de crise financeira, as cidades têm outras prioridades, tais como saúde, educação e saneamento básico. Portanto, se a contenção de gastos com o carnaval ocorreu com o propósito de sobrar recursos que possam ser aplicados em áreas de maior relevância, penso, sinceramente, ter sido acertada a decisão.
 
Sim, pois o bom administrador deve eleger prioridades, cuidar do essencial, pois já vai distante o tempo do “pão e circo”.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.

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