Fazenda São José, Cristais Paulista, 26 de fevereiro de 2015. Um menino de apenas 5 anos com diversas lesões graves pelo corpo, desmaiado, em estado grave, sendo levado até a Santa Casa de Franca, onde morreria horas depois. Seu irmão, hoje com 13 anos, desesperado com o ocorrido, liga para seu pai e madrasta e narra o cenário de agressões em família. O resultado: a morte de Adriano Henrique Jardim Ramos.
Desde que aconteceu a morte do garoto por espancamento, já se passaram dois anos. E a assassina confessa da criança é a própria mãe, Jane Aparecida Jardim, de 29 anos, que permanece na Penitenciária de Tremembé, à espera do julgamento. Um dia que nunca chega, segundo familiares do menino.
Uma dessas pessoas é a madrasta de Adriano, Andrea Marques. Sem disfarçar a emoção, tampouco o carinho que tinha pela vítima, ela revelou sentir ódio de Jane. “Quanta falta sinto do meu Adrianinho, o meu menino, tão carinhoso e por quem eu sentia tanto amor. Até hoje não entendo como a mãe dele de sangue pôde fazer uma maldade assim. Isso não tem perdão e precisamos de justiça. Sinto raiva e ódio dessa mulher por tudo que ela fez.”
O garoto ao qual Andrea se refere é o estudante de 13 anos, irmão de Adriano. Desde o ocorrido, na fazenda São José, ele vive com a madrasta e o pai, Reginaldo Ramos, em Campinas. Constantemente, segundo Andrea, fala do irmão e sofre ao lembrar do que Jane fez com Adriano e as sessões de tortura às quais ele também era submetido na propriedade, onde era obrigado pelo padrasto a carregar troncos de árvore, sacos de esterco e fazer trabalho pesado.
Enquanto a família tenta reconstruir sua vida longe de Jane, o processo segue em segredo de Justiça. Contra Jane, pesa a morte de Adriano. Seu ex-marido, Tiago Rodrigues, também é acusado de espancar os enteados. “Até então, não houve julgamento porque o promotor recorreu para que o Tiago também seja denunciado por tortura. Ainda não foi a júri”, disse seu advogado de defesa, Braz Porfírio Siqueira.
A advogada de Jane, Aparecida das Dores Capela, disse que não se pronunciaria.
O caso
Há exatamente dois anos, Adriano morreu, horas depois de ser espancado por sua mãe. À polícia, ela admitiu que bateu no menino com um cabo de vassoura e ainda o derrubou no chão. O irmão de Adriano também denunciou que os dois eram constantemente alvos de surras da mãe e do padrasto, que segue em liberdade.
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