Franca se prepara para receber, nas próximas semanas, o equipamento alemão que a Sabesp utilizará para transformar o gás do esgoto em combustível para veículos. Experiência inédita no Brasil, a iniciativa é fruto de uma parceria entre o Instituto Fraunhofer, da cidade de Stuttgart, na Alemanha, e a distribuidora de água e esgoto. O equipamento será instalado na ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) e produzirá o combustível que será utilizado, inicialmente, nos 49 veículos que compõem a frota francana da Sabesp. O investimento estimado é de R$ 7,3 milhões.
A parceria funciona com a doação do equipamento por parte do Instituto e, em contrapartida, a Sabesp é responsável por adaptar os veículos, preparar a ETE para o funcionamento do mesmo e prestar assistência técnica, além de acompanhar todas as fases de pesquisa para a implantação do projeto. No processo, o biogás gerado no tratamento do esgoto passa por um sistema de remoção das impurezas, umidade e aumento da concentração de metano. O resultado é um combustível, o biometano, que será usado no lugar na gasolina, do álcool e do GNV (Gás Natural Veicular).
De acordo com a superintendente de pesquisa e desenvolvimento, tecnologia e inovação da Sabesp, Cristina Zuffo, Franca foi escolhida para a implantação do projeto por ser uma cidade de excelência em saneamento básico. “Franca é considerada uma cidade de excelência em saneamento básico, além disso, a ETE de Franca apresenta todos os critérios tecnológicos necessários para a implantação do programa, incluindo tamanho e reunindo todas as condições para receber esse tipo de iniciativa”, disse.
Inicialmente, a frota de veículos da Sabesp utilizará apenas 15% do combustível produzido. A economia anual a princípio, segundo a superintendente, será entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por veículo. “Além disso, estamos falando de uma proteção ao clima e a redução dos gases de efeito estufa, além de inovações no saneamento, o domínio das tecnologias implantadas. Além disso, abre várias possibilidades para estudo de para outros fins: inserção em redes de companhias de gás, produção de energia elétrica e fornecimento do biogás para indústrias próximas”, disse a superintendente. “Se toda a tecnologia for validada, vamos estudar o potencial de como ele poderá ser repassado”, completou.
Atualmente, a ETE de Franca possui vazão de tratamento de esgoto de 450 litros por segundo e produz em torno de 2.600 Nm³ de biogás. A estimava é que sejam produzidos 1.700 Nm³ de biometano por dia, o equivalente para substituir 1.700 litros de gasolina comum a cada dia. A expectativa é que o projeto entre em operação entre julho e agosto, quando os veículos de Franca já devem estar se locomovendo usando o biogás. Hoje, 20 dos 49 veículos da frota francana já estão adaptados para receber o biogás.
A estimativa da organização ambiental World Resources Institute é que cada litro de gasolina emitiria cerca de 2,28 kg de CO2. Com a experiência, anualmente haverá a redução de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de dióxido de carbono com o reaproveitamento do gás.
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