Desde que assumiu a vaga de deputado federal em Brasília, Adérmis Marini Júnior (PSDB) tem vivido dias agitados. Morando em um hotel e sem carro na capital nacional, conta que a rotina de trabalho não tem sido fácil. “Acordo antes das 8 horas e não durmo antes da meia-noite. Normalmente, passo mais de 12 horas no Congresso.” Adérmis ainda tem residência fixa em Franca. Viaja toda segunda-feira à noite para Brasília, onde permanece até a sexta de manhã, quando retorna.
Mas seus finais de semana também têm sido de trabalho. Ele aproveita a vinda para visitar cidades da região e conhecer um pouco mais sobre os problemas que afligem os municípios.
Na semana passada, estreou na tribuna da Câmara dos Deputados. Os temas escolhidos foram a Operação Lava Jato e a cidade de Franca. “Me emocionei. Foi um momento único.”
Apesar de novato no cenário político nacional, Adérmis aos poucos tem conquistado seu espaço. Foi indicado para participar da terceira maior comissão da Câmara - a de Desenvolvimento Econômico - e também da Agricultura.
Foi entre uma visita e outra na tarde de sexta-feira que ele falou com o Comércio sobre seu trabalho como deputado federal.
Como tem sido esse primeiro mês de atuação na Câmara dos Deputados?
Tem sido um mês de grande aprendizado. Foquei em entender o regimento interno da Câmara dos Deputados, que contém as regras de como funciona a Câmara. Também aproveitei para analisar mais a fundo os projetos que estão em pauta aqui no Congresso e que devem ser alvo de discussões, como, por exemplo, a proposta de reformas trabalhista, tributária, previdenciária e política. Esses quatro temas serão os principais assuntos debatidos neste ano na Câmara. Além de estudar, ainda pude contar com um suporte muito bom dos assessores federais, porque aqui eles têm pessoas especializadas em cada área para esclarecer qualquer dúvida. Basta o deputado marcar um horário que eles oferecem até um minicurso sobre os temas. Eu quero entender melhor esses temas para depois tomar as minhas decisões para as votações. Consegui também estabelecer bons relacionamentos. Um deles com o Antônio Imbassahy, que foi líder do meu partido e com quem tenho conversado bastante. Ele me acolheu. Nossos gabinetes eram vizinhos até ele se tornar ministro.
Como foi a emoção de usar a tribuna da Câmara Federal pela primeira vez?
Foi um momento único. Você subir em um plenário que é histórico, por onde passaram presidentes e grandes líderes, é uma coisa incrível. Mas eu me emocionei mesmo quando me referi à minha família. Eu comecei a ficar um pouco nervoso de verdade. Passou um filme na minha cabeça. Da minha origem, das minhas lutas para chegar até lá. E fiquei contente de ver que meu discurso teve repercussão. Eu defendi a Lava Jato, que lá na Câmara é um assunto bem indigesto. Eu disse que vou apoiar todos os projetos que visem maior transparência. Outra coisa que me deixou feliz é que eu fui o primeiro dos novatos a conseguir usar a tribuna. São muitos deputados que querem falar e a concorrência é grande.
Apesar de novato, o senhor foi indicado para compor comissões importantes, como a do Desenvolvimento. Como isso pode ajudar Franca e região?
Então, apesar de ser novato, acho que pela minha formação também em economia, o pessoal (deputados) viu que eu tinha conhecimento para participar e liderar assuntos econômicos na Câmara. Até o próprio líder do partido, o deputado Ricardo Tripoli, afirmou isso. Eu e a Ieda Cruz, que foi ministra do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso, fomos os escolhidos, eu como titular e ela como suplente. Eu acho que a grande contribuição que podemos dar é na discussão dos problemas econômicos do País. Consequentemente, a gente acaba ajudando Franca, porque a Comissão de Desenvolvimento está intrinsecamente ligada aos assuntos dos setores industrial e comercial. A cidade de Franca tem um papel forte no desenvolvimento do setor coureiro-calçadista. É importante dizer que também faço parte da Comissão de Agricultura. Apesar de não ter uma relação muito estreita com a área, eu estou lá para representar os interesses da nossa região, principalmente da cultura da cana e do café.
Muitos dizem que, por ser suplente, o senhor não terá muita atuação. Como o senhor vê essa afirmação?
Discordo completamente. Como suplente, minha única limitação é para disputar a presidência da Câmara. Essa semana, eu escutei uma frase de um colega deputado do Nordeste que me marcou. Na ocasião, ele disse que se precisasse suar sangue para conseguir água para o povo do sertão, ele suaria. Eu brinquei e disse que também irei suar sangue para transformar esse um ano e pouco que tenho pela frente em um grande mandato. Meu lema tem sido tentar fazer em um ano o que faria em quatro, por isso, tenho trabalho muito e me dedicado exclusivamente à Câmara.
Quais são seus planos em Brasília? O que espera conquistar para Franca e região?
Meus planos são trabalhar duro. Temos que conquistar equipamentos importantes, projetos e programas do governo federal. Nos últimos anos, a cidade não teve representatividade na Câmara Federal e isso atrapalha. Eu espero que o governo atenda a minha solicitação para instalação de uma unidade da Polícia Federal. Eu despachei quinta-feira passada com o ministro Imbassahy a respeito. Também quero tratar desse assunto com o presidente Michel Temer, com quem os deputados jantam uma vez por semana. Quero trazer para Franca e região mais recursos, mais convênios federais para participação em programas de diversas áreas e setores. Outra prioridade minha será a área de Saúde, sei o quanto temos problemas não só em Franca, mas na região e precisamos dar atenção.
No ano que vem, haverá uma nova eleição para a Câmara Federal, o senhor pretende se candidatar?
Eu ainda tenho que analisar. Tenho que ver a viabilidade política de uma candidatura dessa envergadura. Eu acho que todos os partidos políticos tem que ter em mente é que Franca precisa de representatividade e se forem lançados mais do que três candidatos a deputado federal, fica inviável a eleição de qualquer um. Eu agora quero focar e trabalhar. Não quero pensar no futuro. Ainda é cedo para análises e conjunturas. Quero fazer um bom trabalho por Franca e região. A participação ou não em uma eleição será consequência.
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