Qualquer pessoa está sujeita a momentos de ira, mas isso não pode absolvê-la de pagar por um crime, de maneira condizente
Era dezembro de 2014. A policial militar Marcela Maria de Oliveira, 31 anos, terminou um relacionamento de seis anos que mantinha com a vigilante Elaine Cristina da Silva, então com 39 anos, e passou a namorar outra mulher. No dia 25 de janeiro do ano seguinte, ela e Elaine se encontraram em uma rua do Jardim Paineiras e tiveram uma discussão.
Em dado momento, a vigilante sacou a arma e deu dois tiros no peito da ex, matando-a na hora. Em seguida, tentou se matar com um tiro também no peito. Elaine ficou internada na Santa Casa por uma semana e foi detida. Ficou presa por pouco tempo. Em maio foi liberada. Pouco depois voltou para a cadeia para ser liberada, novamente, em agosto. O fato é que desde o assassinato, há dois anos, Elaine ficou apenas 5 meses presas.
Essa situação já incomodava tremendamente a família e amigos de Marcela. Eles se manifestavam inconformados com a brandura da punição a que Elaine vinha sendo submetida. Mas, guardavam, no íntimo, a esperança de um julgamento duro e uma pena severa, que fizesse justiça ao crime de Elaine. Não foi o que aconteceu.
Elaine foi a julgamento na última quinta-feira, por homicídio qualificado. Foi condenada há 12 anos de prisão em regime fechado, mas poderá recorrer em liberdade. Essa situação desesperou a família de Marcela, que considerou a pena muito leve e com o agravante de recorrer em liberdade.
Os familiares têm razão. As leis penais brasileiras são medonhas. No caso desse crime, isso fica mais evidente. É necessário ressaltar que houve clara premeditação de Elaine e que há o fato da acusada ter saído de seu trabalho com a arma, o que indica claramente que ela planejava o ato. Qualquer ser humano está sujeito a momentos de ira, mas isso não pode absolver o réu de pagar pelo crime cometido de maneira condizente.
Marcela não é a primeira vítima de um crime desse tipo, quando o término de um relacionamento parece ser justificativa suficiente para se tirar a vida de uma pessoa, acabar com uma família, deixar filhos sem pais ou mães.
Caminhamos para um tempo em que corremos o risco de nos acostumar a vermos pessoas sendo assassinadas porque não querem mais um namoro, um casamento. É um absurdo. Para não cair no esquecimento, no mesmo ano em que Marcela foi morta, outras três mulheres morreram pelas mãos de seus parceiros: Maria Cristina de Morais Brito, 50 anos; Rosane Berteli de Souza, 24 anos, e Noêmia Bordignon Jacintho, 36 anos. Quantas vítimas mais serão necessárias, para que as leis sejam revistas?
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