Nem no Rio de Janeiro se cantou apenas samba no carnaval. Composições simples, as marchinhas, “a música de carnaval do Brasil”, são resultados da mistura de compasso binário - como o das marchas militares, andamentos acelerados, melodias simples e de forte apelo popular mais letras irônicas, sensuais e engraçadas. Quase todas as composições, muitas delas centenárias, são assinadas por nomes importantes da música brasileira como Braguinha, Mário Lago, Lamartine Babo, Noel Rosa e Herivelto Martins. Em 1889, Chiquinha Gonzaga divulga Ô Abre –alas, considerada a primeira marchinha do nosso cancioneiro carnavalesco. E aí tudo começou. Há várias e curiosas relações de classificação dessas composições. Para minha surpresa, em quase todas, a Turma do Funil(Mirabeau, M. De Oliveira e Urgel Castro) - regravada por nada menos que Tom Jobim, em 1980 - é considerada a mais importante. Seguem-na, pela ordem, Mamãe eu quero, de Jararaca e Vicente Paiva; O teu cabelo não nega, de Lamartine Babo e Irmãos Valença, 1931; Ô Abre-alas; Saca Rolha, de Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado, de 1953; Me dá um dinheiro aí,Ivan, Homero, Waldir Machado, 1959. Aurora, de Mário Lago e Roberto Roberti, 1940. A pipa do vovô, Sílvio Santos. Maria Sapatão, de Chacrinha. Chiquita Bacana, de Emilinha Borba. Tem, ainda, o Allah-lá-ô, de Haroldo Lobo e Nássara, de 1940; Cachaça, de Miarabeu, Lúcio de Castro e Heber Lobato, de 1953; A cabeleira do Zezé, de Roberto Kelly e Roberto Faiçal; A Jardineira, de Benedito Lacerda e Humberto Porto, de 1938 e Linda Morena, de Lamartine Babo, de 1932. Só nomes de peso para assinar essas jóias. Herança cultural, essas – e outras - marchinhas foram passadas de geração para geração, todos conhecemos suas letras de cor, e foi comum até há pouco tempo, ver avôs e netos cantando juntos essas deliciosas manifestações musicais, que revelam sermos – ou termos sido - povo descontraído, gozador, capaz de criar obras primas com toque de leveza, alegria e malícia.
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