A carta de Ananias


| Tempo de leitura: 2 min
A demissão de Sebastião Ananias, secretário de Finanças da gestão Gilson de Souza, explodiu como bomba, mas não para mim. Conheço bem Gilson e Ananias. Convivi e convivo com personagens históricos da cidade. Desfruto, deles, respeito, e é assim porque sempre disse o que tinha de dizer. 
 
Gilson tem perfil bonachão, coração decente e inocente. É incapaz de dizer “não” a alguém. Política, para ele, tem que ser exercitada em benefício do povo. Então, se é para o povo, vale tudo. Gilson é legislador. Nunca foi executivo de administração pública. Entende que dinheiro não acaba, e que a um administrador eleito só cabe distribuir com acerto, ou com “jeitinho”, se o povo precisa e não há forma legal de. De mais a mais, o diz-que-diz dos corredores de Prefeituras são diferentes de corredores legislativos. Para pior... 
 
Já Ananias é emburrado, determinado, focado, eficiente e comprometido até a última célula com decência, ética e moralidade no gerenciamento de dinheiro público. Vive de acordo com sua consciência e jamais diz “sim” se tem que dizer “não”. Nunca teve chefe. A nenhum prefeito com quem trabalhou, sujeitou-se a mando. Apenas a Deus, único a quem – diz – prestará contas. Doma contas públicas a ferro e fogo e não permite a ninguém, nem a prefeito, escapar delas. Se enquadrar gastos e não admitir contrariedade é ser prefeito, Ananias foi um pouco prefeito com Sidnei Rocha; também em Orlândia, recuperando contas do município. Seria de novo, agora, com Gilson. 
 
Com a dobradinha de seus perfis, Gilson confrontado com a necessidade de aprender a dizer “não”, teríamos uma cidade diferente. Mas, separaram-se. Ananias escreveu carta para demitir-se, a pedido de Gilson. Leia, as entrelinhas do texto, base do que acabo de comentar. 
 
Exmo. Sr. Prefeito municipal de Franca, Dr. Gilson de Souza
 
Considerando e respeitando vossa manifestação de vontade em que eu deixe a pasta da Secretaria Municipal de Finanças e o Governo...;
 
Considerando as incontornáveis divergências apontadas por Vossa Excelência, entre a minha forma de Administrar os recursos públicos e os anseios de vossa equipe de gabinete e ou conselheiros...;
 
Considerando que as leis brasileiras dão (sic) ao Chefe do Executivo as prerrogativas das decisões desta natureza...;
 
Considerando meu respeito às leis e às hierarquias nelas estabelecidas...;
 
Considerando o respeito que devo ao querido povo de Franca que o escolheu...;
 
Na firme convicção de que Vossa Excelência cumprirá tudo quanto me foi anunciado, apresento meu pedido de exoneração.
 
Sebastião Manoel Ananias
 
 
Luiz Neto
Jornalista, mestre cerimonialista, editor e tutor de texto, fala e gesto - luizneto@luiznetocomunicacao.com.br 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários