O ex-secretário de Finanças, Sebastião Ananias, explicou nesta terça-feira como se deu sua demissão.
Quais os motivos que o levaram a deixar o governo?
Não tenho motivos, tenho um único motivo. O prefeito esteve em minha casa e anunciou que eu não voltaria ao governo, que queria colocar outra pessoa na pasta de Finanças e que me dispensava do governo. Apenas atendi a um pedido do prefeito.
E quais foram as explicações do prefeito?
Foi uma decisão pessoal dele. Depois me contou que estava sofrendo pressões do pessoal do gabinete, dos conselheiros que ele tem. Todos foram unânimes em afirmar que é ele que manda. Nunca discuti isso. Houve esse descompasso, esse pessoal que pressionou o prefeito e ele convive mais com eles do que comigo. Ele cedeu às pressões.
E por que o senhor divulgou a carta no Facebook?
Foi para deixar claro que não há divergências minha com o Gilson. Minha divergência é com o gabinete. É a primeira vez em mais de 20 anos de governo que um gabinete me trai. Não me sujeito a qualquer tipo de arranjo. Sigo o que está na lei. Houve pessoas que começaram a enfiar na cabeça do Gilson que eu estava mandando muito, que estava com muito poder. E, na verdade, não houve nada disso.
Quando o senhor fala em pessoas, em gabinete, a quem exatamente se refere?
A um dos assessores dele mais diretos, o dr. Ulisses Minicucci, que disse a mim que quem manda é o prefeito e repetiu isso para o Gilson. Acho que o Gilson se deixou contaminar.
O senhor se sente traído?
Pelo gabinete, sim. Pelo prefeito, não. Não acredito que o Gilson tenha tomado essa decisão pelo lado pessoal. Acho que foram os agentes no entorno dele. Dois fatos são emblemáticos: o das verbas do Carnaval e dos 10% dos procuradores, que é tratado intramuros na Prefeitura e mostram como foi a trama. Não conheço os meandros, porque estava afastado. Só conheço o corte que sofri.
O senhor se arrepende do apoio que deu ao Gilson?
Não me arrependo, porque acreditei no projeto de governo que havia me apresentado. Comprei a ideia do governo aberto, que não tinha compromissos políticos com ninguém. Mas não foi assim. Eu só posso pedir perdão a Franca.
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