“O lógico seria o filho enterrar o pai, e não o pai enterrar o filho. É uma dor muito grande que não passa. Ele precisa pagar pelo que fez. Foi um assassino que continua aí, com a carteira de motorista em mãos. Não quero que isso fique impune como a morte da minha primeira filha em 2010, também em um acidente.” Foi com esse discurso e emoção na voz que o pedreiro José Carlos de Paula Justino, pai de uma das três jovens mortas na tragédia da avenida Paulo VI, há um ano e meio, definiu o que esperava da audiência de ontem, realizada em uma sala do Fórum.
Mas, o pai da balconista Bruna Cintra Justino, 20, e os familiares da estudante Mariana Luiza de Sousa, 19, e da desempregada Carolina Rodrigues Borges, 20, terão de esperar mais um pouco por um possível desfecho para o auxiliar de serviços-gerais Cairo César Cruz, 25. Isso porque uma das sete testemunhas de acusação não compareceu à audiência na Vara do Júri e Execuções.
Trata-se da irmã de Carolina, Ana Laura Rodrigues, que estava com as vítimas e o réu, antes do acidente fatal. Com essa falta, ficou determinado que ela deverá ser encontrada e ouvida o quanto antes.
Embora a jovem não tenha comparecido à audiência, outras testemunhas que estavam na padaria Boulevard, no Parque Universitário, momentos antes do acidente, e pessoas que socorreram as vítimas na Paulo VI, foram ouvidas. Só após o término das oitivas da acusação, que Cairo e suas testemunhas de defesa poderão se pronunciar sobre o caso.
Profissionais do Comércio e da EPTV, que estavam autorizados a acompanhar a audiência de instrução de Cairo, foram barrados assim que entraram na sala do Júri ontem. Acatando o pedido da defesa, que afirma que Cairo está com problemas psicológicos, o juiz Paulo Sérgio Jorge Filho disse que a imprensa deveria se retirar. As oitivas duraram quase duas horas e ainda não está agendada uma nova audiência.
A tragédia
Na madrugada do dia 31 de outubro de 2015, Cairo perdeu o controle do Fiat Linea que dirigia, invadiu o canteiro central da avenida Paulo VI e bateu em uma árvore. Com o impacto, as três garotas morreram. O estudante César Eduardo Gonçalves, 17, que também estava no carro, sofreu ferimentos leves. Cairo foi socorrido com lesões graves e ficou internado na Santa Casa por alguns dias. Recuperou-se e, agora, aguarda um desfecho na Justiça para o caso.
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