Há 53 anos, um grupo de empresários e educadores constatou a necessidade da criação de uma instituição que orientasse, promovesse e administrasse a capacitação de jovens para o mercado de trabalho. Sem experiência prática, os estudantes chegavam despreparados nas empresas, sem conhecimentos básicos do dia-a-dia corporativo, o que dificultava a adaptação. Foi nesse bojo que nasceu o CIEE, entidade filantrópico-assistencial que faz aniversário nesta semana, criada com o objetivo principal de facilitar a inserção de jovens no mundo do trabalho por meio do estágio, e depois, também da aprendizagem.
Durante mais de meio século, o CIEE encaminhou mais de 16 milhões de jovens para o mercado de trabalho. Muitos deles transformaram-se em grandes empresários, CEOs de empresas, gerentes, supervisores, juristas e educadores. Há também aqueles que pegaram gosto pelo serviço público, após estágio, e que hoje são importantes representantes do povo na vida pública, como senadores, deputados, prefeitos e vereadores.
O estágio ou a aprendizagem são pontos de partida essenciais para uma carreira de sucesso. Os jovens, muitas vezes, saem da universidade com o diploma e sem experiência. Com isso, sentem dificuldade de adequação aos modelos corporativos, desde a apresentação pessoal – uso da vestimenta e linguagem corretas –, à maneira de se comportar em uma reunião ou com o colega de trabalho, as relações interpessoais, a hierarquia ou o trato com o cliente, entre muitos outros temas que não são trabalhados nos bancos escolares.
A partir da capacitação prática, o jovem vivencia essas experiências, transformando-se em um profissional mais completo e qualificado. Terá, então, grande chance de ser efetivado na mesma empresa – já que 64% dos estagiários são contratados. Aqueles que não forem aproveitados, por falta de vagas, terão um currículo atraente para o mercado,
Durante esses 53 anos, o CIEE não parou de crescer e aumentar oportunidades aos jovens. Hoje está em todos os estados do país, com unidades e postos em mais de 350 cidades. Os serviços gratuitos também multiplicaram-se: educação à distância, alfabetização e suplência para jovens e adultos, auxílio à empregabilidade da pessoa com deficiência, formação profissional pelo Aprendiz Legal – em parceria com a Fundação Roberto Marinho –, postos volantes de atendimento nas periferias e áreas de vulnerabilidade social, seminários sobre drogas, entre muitos outros.
Apesar de a casinha no tradicional bairro do Bexiga, onde iniciou seus trabalhos em São Paulo, ter se transformado em uma sólida estrutura de apoio à inclusão do jovem, os objetivos do CIEE seguem intactos e o sucesso vem sendo demonstrado em cada sorriso de quem consegue sua primeira oportunidade no mercado de trabalho.
Luiz Gonzaga Bertelli,
presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH)
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