Não é uma coisa qualquer o fato de tantos secretários deixarem seus cargos em tão pouco tempo
Em apenas 50 dias de governo, não é pequeno o número de problemas com os quais tem que lidar o prefeito Gilson de Souza (DEM). Para além das questões que habitualmente “atormentam” um mandatário em começo de gestão, o prefeito ainda vem enfrentando uma situação delicada: a saída de seus escolhidos dos postos de comando da administração.
As baixas no governo começaram antes mesmo de Gilson tomar posse. Em dezembro, o juiz aposentado Luiz Pinheiro Sampaio, nome escolhido para a Secretaria de Administração, desistiu da função. À época, disse que continuaria ajudando o governo como conselheiro jurídico. Ficou pouco mais de um mês na administração. No começo de fevereiro pediu demissão do cargo comissionado. Alegou motivos pessoais e de saúde.
Às vésperas da posse, o médico Ulisses Minicucci, confirmado como Secretário de Saúde, também desistiu.
Oficialmente, sua saída teria sido provocada por um parecer do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), que considerou incompatível o cargo de secretário com o de delegado do conselho, o qual Ulisses ocupa há mais de 10 anos. Nos bastidores, os comentários eram de que Ulisses estaria com medo de assumir uma das pastas mais problemáticas da Prefeitura.
No começo deste mês, Wanderley Cintra, presidente da Emdef, pediu exoneração do cargo. Disse que não se sente em condições de assumir a responsabilidade de recuperar a empresa.
Nesta terça, foi a vez de mais um secretário deixar um cargo de confiança. A diferença é que, no caso de Virgínio Henrique Vieira Reis, secretário de Planejamento Urbano, ele acumulava a função de Assessor de Planejamento e Desenvolvimento do Uni-Facef. Virgínio foi exonerado ontem do Uni-Facef, em função da ilegalidade do acúmulo de função. (leia mais na página 5A).
Todas as mudanças preocupam, mas a segunda baixa desta terça caiu como uma bomba na administração. Sebastião Ananias, o homem forte do governo, deixou a Secretaria de Finanças. Ele disse que Gilson cedeu às pressões e pediu para que ele se demitisse (leia mais na 6A). O prefeito viajou para Brasília logo em seguida e, assim como não comunicou previamente a saída do secretário, também não deu explicações posteriores a respeito. Ainda estão sem resposta os motivos que levaram Gilson a demiti-lo, quem vai substituir Ananias, se há nomes cotados ou quanto tempo vai levar para que essa o vácuo das Finanças seja preenchido. O fato é que em meio a tantas idas e vindas, começa a se desenhar um quadro de instabilidade no governo. É muito cedo para isso. A torcida é para que Gilson perceba o delicado da situação o quanto antes, e haja antes que seja tarde.
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