Gostar do que se faz


| Tempo de leitura: 2 min
É importante gostar do que se faz, mas nem sempre fazemos o que gostamos no trabalho, na família, no circulo de amigos, enfim, nos relacionamentos. Viver pode ser comparado a uma obra de arte cujo artista principal somos nós mesmos e os detalhes dessa obra são metaforizados pelas escolhas de cada dia. É evidente que viver em sociedade traz contrariedades e fazemos o que não gostamos por necessidades ou para evitar um mal maior. Saber lidar com os obstáculos revela maturidade emocional e o quanto estamos dispostos a superá-los ou não, contudo, existem situações que precisamos enfrentar, pois serão benéficas e trarão crescimento, outras, porém, evitar por serem danosas e tóxicas. 
 
Precisamos trabalhar para garantir a sobrevivência, mas o emprego não pode ser tão danoso ao ponto de nos destruir como pessoa humana. Nessa situação, ou aprendemos a lidar e ver o emprego como algo prazeroso e benéfico ou é melhor buscar uma recolocação no mercado, até porque, se alguma doença surgir que venha comprometer o desempenho, em breve seremos demitidos. Da mesma forma, não é saudável manter um relacionamento afetivo no qual há abuso por algum dos envolvidos. Toda relação enfrenta situações complexas, mas quando tira a liberdade, obriga a sermos ou comportarmos de modo diverso do que realmente somos, temos indicativos reais de problemas. Destruir a autoestima, ofender com palavras de baixo nível, expor a intimidade sem o consentimento, dilapidar o patrimônio são algumas condutas que não podem ser mantidas. Buscar uma relação equilibrada é sinal de maturidade e de amor, o contrário, por sua vez, manter uma relação na qual só um ganha, só um tem prazer, em pouco tempo haverá uma ruptura brusca e efetivamente maléfica. Esses tipos de relações deixam marcas indeléveis na nossa subjetividade.
 
Isso não significa que diante das dificuldades que a vida nos oferece não devemos buscar a superação e ser grato. O que não podemos é manter uma relação que nos causa dor emocional ou psicológica e ainda achar que é o melhor. A dignidade do ser humano precisa ser mantida em qualquer situação, é um bem inviolável e nenhuma situação pode justificar o injustificável, pois devemos buscar fazer o que gostamos ou aprender a gostar do que fazemos. Fazer apenas por fazer é ação sem resultados, diante disso, buscar (re)significar as nossas escolhas e os motivos pelos quais a mantemos é indispensável. A vida é breve, mas é suficiente para vivermos grandes e inesquecíveis momentos, conhecer pessoais incríveis e vivenciar experiências fabulosas. Só depende de nós e das escolhas que fazemos. Busquemos fazer o que gostamos e aprender a gostar do que fazemos.
 
Acir de Matos Gomes
Advogado e professor universitário
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários