Educação x violência


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APENAS QUANDO O ENSINO FOR ENCARADO COM SERIEDADE PAÍS PODERÁ ENFRENTAR VIOLÊNCIA
No mesmo dia em que o presidente Michel Temer (PMDB) sancionou a reforma do ensino médio, índices nacionais e internacionais mostram que o Brasil ainda está longe de oferecer um ensino público de qualidade, capaz de fazer frente a outros, bastante negativos, mas intrinsecamente ligados à educação de crianças e adolescentes, como a violência. A matéria sancionada ontem, porém, só deverá começar a apresentar resultados práticos a partir de 2020. Um deles dá conta de que um de cada quatro alunos chega ao fim do ensino fundamental com pelo menos uma reprovação no currículo, de acordo com números do censo escolar. Além disso, outro estudo mostra que pelo apenas 8% das brasileiros em idade de trabalhar são consideradas plenamente capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Ou seja, oito a cada grupo de cem indivíduos da população.
 
Juntando-se aos índices de analfabetismo e de crianças fora da escola, vê-se que o Brasil ainda precisa remar muito para atingir o mar da tranquilidade, pelo menos quando se trata do ensino. Houve uma época em que alguns políticos sérios diziam, com toda a propriedade: investir em escola é garantia de que passemos a investir menos em presídios. Hoje, o que se vê por aí são crianças livres para delinquir, muitas vezes usando a violência, quando deveriam estar dentro das salas de aula. 
 
Os fatos cotidianos narrando a violência dos crimes envolvendo menores de idade, além de estarrecedor, escancara uma realidade que nossas autoridades, principalmente legisladores, tentam ignorar. Enquanto o Brasil não investir com maior intensidade no ensino formal, as perspectivas de futuro serão sombrias. Não basta aplicar as verbas destinadas ao setor. É preciso se conscientizar de que somente uma escola de qualidade, com professores bem pagos e motivados, será capaz de retirar um grande contingente de crianças envoltas nos tentáculos da criminalidade e da violência. Nossas leis privilegiam a proteção da infância e da juventude, mas nada fazem quanto às suas responsabilidades: menores de idade têm direitos, mas não deveres.
 
Aliada à inexistência de atrativos que os levem às escolas, crianças e adolescentes são fortemente prejudicados por causa de uma demagogia que não busca colocar em primeiro lugar o seu real bem estar. Hoje, uma corrupção endêmica e profundamente enraizada na vida política brasileira tem sido capaz de desviar milhões de um dinheiro que deveria estar sendo direcionado para a Educação e para a Saúde Pública. Não há interesse em melhorar estes dois setores bastante sensíveis, quando os interesses pessoais superam os coletivos. Este é um crime que se comete contra o país.

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