Ouvi certa vez uma frase que a meu ver sintetiza o que pretendo hoje retratar: “A roupa é a moldura do corpo”. Sem dúvida, há pessoas que são extremamente “alinhadas”. Elas não conseguem ir à padaria da esquina de casa, sem que estejam em perfeita ordem. Exageram no traje. Aliás, a expressão “alinhada”, teria surgido no passado para retratar pessoas que usavam linho em suas roupas, um tecido importado e caro, acessível a poucos.
Outros, ao contrário, embora bem resolvidos financeiramente, são totalmente desapegados com os trajes que usam. Para esses, o importante é o que se tem na cabeça e no coração e não a qualidade da roupa que usam.
Um conterrâneo contou-me a história de um comendador mineiro, bastante abastado, mas que costumava-se trajar como um mendigo. Barba por fazer, paletós, calças e botinas surradas. Camisas puídas e meias furadas. Quando ele, repreendido pela esposa em razão do seu desalinho, respondia: “não se preocupe patroa, pois aqui na cidade todos me conhecem!”
Certa vez ele e a esposa foram convidados para uma luxuosa festa de casamento na capital. A esposa, já prevendo o pior, antecipou-se exigindo do marido a aquisição de um traje novo, necessário a um evento de tamanha grandeza. Ele, com paciência, respondeu-lhe: “patroa, não vou gastar dinheiro com roupa, pois na capital ninguém me conhece”.
O fato serve para relembrar a sabedoria dos Gregos: “no meio está a virtude”, ou a popular: “nem muito ao mar, nem muito à terra”, até porque, andar desarrumado, nem sempre é sinal de humildade, mas sim de desleixo.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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