POLÍTICOS BRASILEIROS TROCAM APOIO POR CARGOS E VANTAGENS: VERGONHA!
Tem chamado a atenção, desde ontem, um vídeo onde sem cerimônia, o ministro Eliseu Padilha admite em palestra na Caixa que escolhe seus auxiliares com base no número de votos que podem lhe garantir no Congresso. E exemplifica com a escolha de Ricardo Barros (PT) para o Ministério da Saúde: ele foi indicado pelo partido como nome capaz de “engrossar” o apoio ao governo no Congresso, levando votos capazes de fazer pender a balança em favor do Planalto. Padilha não o conhecia e muito menos o presidente da República Michel Temer. Sem conhecimento na área, Barros não consegue administrar os surtos de dengue, chicungunya e zika vírus que atingem o país e agora assiste à explosão da febre amarela. Em diversos outros cargos repete-se a prática. E o Brasil continua vivendo em situação de penúria.
Ainda na época do Brasil colonial, a prática de concessão de benefícios em troca de apoio sempre foi identificada com o país. Títulos de nobreza e cargos públicos eram oferecidos a adversários para que, de uma hora para a outra, mudassem de posição. A prática atravessou séculos e chega hoje mostrando-se mais forte do que nunca. Disseminou-se entre a classe política de nosso país, estando enraizada em todas as instâncias da administração pública, partindo da presidência da República até chegar aos menores municípios brasileiros. Embora se alastre, este tipo de relacionamento causa mal-estar nos eleitores e cria uma série de “atalhos” que acabam desembocando em esquemas de corrupção. A Operação Lava Jato está aí para provar.
Desde que o Brasil foi descoberto as coisas acontecem assim. Primeiro, foram os portugueses que ofereceram espelhos, tecidos e adornos para conseguir a simpatia dos índios. Mais tarde, a distribuição de terras da colônia recém-descoberta (as famosas capitanias hereditárias) reforçava o apoio à Casa Real Portuguesa. Já no Império, a moeda de troca eram títulos de nobreza e grandes extensões de terra. Hoje, chegamos aos cargos públicos: ministros são empossados em Brasília como um acordo entre o governante de plantão e legendas políticas, o que vem se repetindo nos Estados e Municípios. Os cargos comissionados (sem necessidade de concurso) só incham a máquina pública para garantir o apoio necessário para o Poder Executivo aprovar peças de seu interesse no Congresso, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais.
Usar a posição para conseguir uma vantagem é típico de um Brasil que não deveria existir mais. Os ventos democráticos que varrem o país há cerca de 30 anos são mais fortes do que este troca-troca abjeto que assistimos, impotentes, ocorrendo em nosso quintal. Este tipo de negociação não dá resultados e atira o país mais fundo no buraco.
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