Sou jornalista preocupado com fontes, se são corretas e confiáveis. Como profissional da informação, meus leitores esperam de mim que lhes entregue conhecimentos acima de qualquer suspeita, resistentes a quaisquer investigações. Jornalistas profissionais, entretanto, têm enfrentado o boom digital que toma conta do mundo. Cidadãos cada vez mais superficiais, tornados repórteres do cotidiano pela posse de celulares sempre disponíveis a registrar o que quer que seja, são, hoje, a mais rápida maneira de contar o que acontece em cada esquina do mundo, e sem qualquer preocupação ou cuidado.
Uma notícia, lastreada na verdade ou não, roda o mundo, atualmente, em três minutos. Significa que a cada tempo igual a esse, o que se diz novo, já é velho. Quem vive em tal velocidade, não acha tempo para aprofundar-se em nada. Apenas vê, e replica. Não há travas éticas ou morais.
Quem se fecha em grupos de Whatsapp, Facebook, Twitter e outras redes sociais e vê “verdade” só no que compartilha ou é compartilhado por seus “amigos confiáveis”, adota qualquer causa como sua, mesmo que fira seus próprios princípios.
O caso da hora é a luta de policiais militares por salários dignos e direitos constitucionais não admitidos pelos regulamentos das tropas. Resolveram falar, endurecer, mas nunca — como se tem pregado por ai —, cruzarem os braços e permitirem bandidos gozando liberdade plena. Afinal, PMs têm família, filhos, amigos que não sabem se tornarão a vê-los após mais um dia de seus duros embates na segurança pública.
Ontem, amigo velho que fiz aceitar que é preciso ir fundo na investigação de informações que circulam livremente na internet, me pediu opinião sobre fala de suposto PM que afirma, esteve em grande manifestação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro onde “coronéis da ativa, que nunca tinham apoiado publicamente a tropa, aconselharam que ninguém saísse às ruas já que a PM iria parar até atingir todo o país”. A gravação viraliza nas redes sociais replicadas por quem não checa o que recebe; só repassa, “indignada”.
Disse-lhe que, para mim, a “boa” PM se esforça em ser valorizada, e isso repercute. Também, que temos que nos aprofundar para compreender o que pretende a corporação; e só depois, posicionar. Para mim, a causa é justa. Considerei, finalmente, com ele, a teoria do “quanto pior, melhor”. Bandidos, melhor organizados que a maioria das corporações nacionais, sempre estão atentos. Se algo “pega e incendeia”, a ordem é aproveitar e ampliar o terror, jogando culpa nas costas de alguém. Se contra a PM, melhor.
Luiz Neto
Jornalista, mestre cerimonialista, editor e tutor de texto, fala e gesto - luizneto@luiznetocomunicacao.com.br
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