Até onde vai o nosso futebol?


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MORTE DE TORCEDOR EM CLÁSSICO CARIOCA VOLTA A MANCHAR ESPORTE
As cenas de selvageria divulgadas a partir de domingo (12) nas ruas próximas ao estádio Engenhão, no Rio, voltaram a marcar um dia onde as disputas futebolísticas deveriam se sobressair diante da violência desmedida e injustificada. No final, vitória do Flamengo, um torcedor do Botafogo foi morto a tiros. Conforme mostraram as imagens de TV, três torcedores em um carro atiraram contra um grupo de torcedores do Botafogo que se dirigiam ao Engenhão. 
 
As cenas exibidas por todas as emissoras de TV brasileiras na noite de domingo, repetidas nos telejornais, esportivos ou não, no dia de ontem (12) e replicadas com insistência na internet, causam, além da reflexão, uma grande indignação. Não se pode conceber, nos dias de hoje, uma violência extrema envolvendo a paixão futebolística. O principal esporte do Brasil pode provocar paixões, debates e polêmicas. Mas não se pode evoluir para a agressão física. Hoje, nem em momentos de lazer podemos nos livrar desta violência que nos atinge cotidianamente até dentro de nossas casas. Aparentemente, a medida tomada no Estado de São Paulo de impor torcida única em grandes clássicos e proibir a formação de torcidas organizadas, tem tido seus efeitos. Por aqui, percebe-se que famílias inteiras estão voltando aos estádios, participando de um congraçamento que só o esporte promove. Mas o que se pode esperar de um País onde o presidente da principal federação do futebol, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é presidida 
por um elemento que evita sair do Brasil para não ser preso?
 
Enquanto se buscam culpados fora do campo, vê-se que a situação reflete cada vez mais a situação do futebol brasileiro. Hoje os nossos melhores jogadores atuam em países europeus, onde há organização que envolve patrocínios milionários, estádios lotados e paixões que são resolvidas dentro de campo, na bola. Por tudo isso é preciso se repensar toda a dinâmica do futebol no Brasil, passando pela CBF e pelas federações estaduais, onde as mesmas figuras lideram há décadas e não há uma perspectiva de mudanças, pelo menos em curto ou médio prazo. Envoltas em denúncias, que colocaram o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, na cadeia nos Estados Unidos, estas organizações não permitem que o futebol progrida e volte a levar pais e filhos para uma contenda domingueira. Enquanto elementos nocivos continuarem vendo um jogo de futebol como batalha campal, extremando as paixões e as rivalidades, há que se perguntar para onde vai o futebol brasileiro enquanto a violência se torna mais importante do que o resultado da partida no campo do jogo.

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