Secretário promete mutirões de consultas e cirurgias


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O secretário municipal de Saúde, Rodolfo Moraes Silva, participou do programa Hora da Verdade, na rádio Difusora
O secretário municipal de Saúde, Rodolfo Moraes Silva, participou do programa Hora da Verdade, na rádio Difusora
O secretário municipal de Saúde, Rodolfo Moraes Silva, apresentou nessa segunda-feira um resumo do levantamento que fez sobre a situação nas unidades da rede, prontos-socorros e nas duas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). A conclusão: a rede municipal de saúde está desmantelada. A constatação foi feita durante a participação de Rodolfo no programa Hora da Verdade, comandado pelos jornalistas Leandro Vaz e Corrêa Neves Jr. 
 
Rodolfo disse que começou a fazer o levantamento assim que assumiu o cargo, no início de janeiro, e passou os últimos 40 dias visitando cada uma das unidades da rede municipal. “Fui conhecer de perto todos os setores. Conversei com servidores e pacientes. Em cada unidade, fiz um relatório destacando pontos fortes, pontos fracos, problemas e sugestões de solução. Agora compilei tudo em um plano de ação inicial.” 
 
O secretário disse que a situação da saúde em Franca é grave. “São muitos problemas e problemas sérios. O que percebi é que a saúde básica nos últimos anos foi deixada de lado. Está desmantelada, com problemas estruturais e déficit de pessoal.” 
 
Para se ter uma ideia, apesar de ter autorização para criar mais sete núcleos do Programa Saúde da Família, que hoje se chama Estratégia Saúde da Família, a Prefeitura mantém apenas os cinco núcleos criados na gestão do ex-prefeito Gilmar Dominici (PT), há quase 20 anos. “Queremos ampliar muito o número de núcleos. Com 380 mil habitantes, deveríamos ter uns 100, e temos apenas cinco funcionando adequadamente.” Uma das prioridades da pasta será colocar os outros sete núcleos em funcionamento ainda neste ano. 
 
O secretário afirmou que as queixas sobre demora no agendamento de consultas com especialistas têm fundamento. “A situação que encontrei em muitas UBSs foi encaminhamentos parados há anos. Encaminhamentos que não tiveram seguimento. É compreensível quando a população reclama.”
 
Mutirões
Para tentar amenizar o problema, Rodolfo já começou a organizar um mutirão de consultas. “Conversei com médicos do NGA e eles estão dispostos a participar, inclusive, para atender à noite e aos sábados, em horários especiais.”
 
Uma equipe da Secretaria está fazendo uma triagem nos encaminhamentos encontrados para saber se os pacientes ainda precisam da consulta. “Assim que esse trabalho terminar, vamos começar a organizar o atendimento”, disse, sem definir uma data.
 
Outro mutirão que também deverá ser realizado é de cirurgias eletivas. Segundo Rodolfo, atualmente, existem na fila por um procedimento mais de 10 mil pacientes. “Mas sabemos que este número pode não ser real. Tem encaminhamentos muito antigos, de anos. Como no caso das consultas, também estamos fazendo a triagem.” O secretário informou que os recursos para a realização dos mutirões foram conseguidos pelo prefeito em uma viagem a São Paulo. “O Gilson já acertou tudo na Secretaria de Saúde.” 
 
Segundo o secretário, este será o primeiro de uma série de mutirões. “Os pacientes podem ficar tranquilos que entraremos em contato para atualizar os dados. Já temos uma equipe para isso e para avisá-los sobre o mutirão”.
 
Rodolfo disse que os mutirões serão uma solução emergencial. “Precisamos ampliar a rede de especialistas e aumentar a cota contratada de cirurgias, se não as filas e a espera não vão diminuir”, disse o secretário.
 
Entre as especialidades com falta de profissionais, a mais urgente é a psiquiatria. “Temos um Ambulatório de Saúde Mental, mas não temos psiquiatras na rede. Isso é um contrassenso que esperamos corrigir assim que terminarmos o concurso para médicos, que está em andamento.” Outra especialidade em que há falta de médicos é a ginecologia. “A cidade precisaria ter 25, 27 ginecologistas. Na rede, são apenas 13 ou 15.”
 
Médicos do PS
O único ponto que Rodolfo disse ainda não ter definido uma solução é em relação aos médicos contratados para atuar no Pronto-socorro. Eles são contratados como empresas prestadoras de serviços, o que é ilegal, segundo a Justiça do Trabalho. “Ainda não definimos se optaremos por concurso ou pela contratação de uma organização social para regularizar a situação. O fato é que cedo ou tarde teremos que lidar com a questão, mas não tenho uma resposta agora.” 
 
Sobre os supersalários, ele disse que já adotou providências para que não ocorram mais. “De fato, verificamos colegas com pagamentos mensais assustadores. Isso é uma aberração, é injusto. Mas já corrigimos, fazendo a redistribuição dos plantões.”

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