Espírito público


| Tempo de leitura: 1 min
Ao mesmo tempo em que o Espírito Santo oferece ao pais o exemplo da dura realidade de um território sem policiamento — mortes, saques, ausência de transporte, desabastecimento e medo — e o Rio de Janeiro se mobiliza para evitar que a sua Polícia Militar também deixe de ir as ruas, os governos dos demais estados devem se preocupar com a possibilidade do mesmo ocorrer em suas jurisdições. As queixas dos policiais militares são similares em todo o território nacional. Em São Paulo, mulheres, maridos e filhos de militares marcam para a próxima quarta-feira, ato na frente do Palácio dos Bandeirantes, em busca de soluções para a crise que vivem dentro de suas casas. Seria muito interessante o governador Geraldo Alckmin e o núcleo decisório do governo terem uma proposta concreta para diminuir a tensão dessas famílias, que não recebem nem a reposição dos índices inflacionários e há praticamente duas décadas sofrem com as políticas de recursos humanos aplicadas pelo governo enquanto empregador.
 
Todo policial militar sabe que não pode fazer greve, e não faz. Mas há na classe o sentimento de que os governos se prevalecem dessa restrição legal e dispensam aos militares tratamento patronal menos justo do que às demais categorias do funcionalismo, que podem parar o trabalho e fazer ruidosas manifestações que levam ao desgaste político. O quadro adverso hoje vivido no âmbito das instituições militares estaduais não existiria se os governos tivessem aplicado a reposição anual dos índices inflacionários, obedecendo ao estabelecido no artigo 37 inciso X da Constituição Federal. Ai, o que teríamos hoje a discutir seriam condições de trabalho e questões específicas da carreira.
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente e dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários