SITUAÇÃO CONTINUA PRECÁRIA NO ESPÍRITO SANTO, PREJUDICANDO TODA A POPULAÇÃO
Há pouco mais de uma semana temos acompanhado com indignada perplexidade o movimento envolvendo os Policiais Militares do Estado do Espírito Santo, que já deixou quase 130 mortos, mais de 200 lojas saqueadas, 800 veículos furtados e uma população inteira acuada pela violência que se aproveitou da falta de segurança para atacar, causando destruição de bens públicos e privados, além de uma série de saques a lojas e supermercados. No final das contas, além dos prejuízos materiais, o comércio também teve que fechar as portas para não ser mais prejudicado, as escolas ficaram fechadas a semana toda e o transporte público interrompido na capital Vitória. A situação só melhorou nos dois últimos dias com a presença de tropas da FSN (Força de Segurança Nacional) que passaram a ocupar os postos deixados vagos pelos PMs em todo o Estado.
A manifestação não tem um prazo para terminar, mesmo depois de um acordo entre governo e entidades de representação da polícia, na sexta-feira (10), Acontece que, de acordo com a própria Polícia Militar, não existem lideranças claras, capazes de negociar e fazer cumprir um acordo com o governo. O problema é que são as mulheres dos PMs que estão bloqueando a entrada de pelo menos 29 quartéis em toda Espírito Santo impedindo a mobilização dos agentes de segurança. E elas dizem que só encerram o protesto depois que suas exigências forem atendidas. Entre elas, reajuste salarial e melhora no equipamento de segurança de soldados e oficiais. Assim, nada do que se acordou na sexta-feira (10) está valendo. Aos poucos, a vida volta lentamente ao normal por causa das tropas do governo (são mais de 3 mil homens em todo o Estado), mas a movimentação se descola perigosamente para o Rio de Janeiro e pode chegar a outras unidades da Federação.
Neste caso, seria o caos. Sem lideranças claras com as quais dialogar, qualquer governo atingido só teria uma saída: pedir ajuda ao governo federal. E, com isso, a população é a maior prejudicada, pois corre o risco de ser atacada dentro de suas casas, perdendo bens conseguidos à custa de muito trabalho. Neste caso, somente a lei não é capaz de proteger o cidadão, ao determinar a proibição de greve nos serviços públicos de segurança, já que os principais envolvidos, os Policiais Militares, dizem que são impedidos de sair dos quartéis pelas mulheres. É necessário que a partir desta experiência os governos que se sintam ameaçados busquem o diálogo antes de atirar os cidadãos num período de barbárie como vimos no Espírito Santo.
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